Homem-bomba mata 16 no Paquistão

Atentado ocorre perto de onde o presidente da Suprema Corte, suspenso por Musharraf, iria discursar

Islamabad, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2007 | 05h36

Um homem-bomba matou ontem 13 pessoas e feriu outras 39 em Islamabad, diante de um tribunal no qual o presidente da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry - suspenso do posto desde 9 de março -, deveria fazer um discurso, informou a polícia. O atentado provocou o caos na capital, uma semana depois que a invasão, pelas forças de segurança, de uma mesquita que abrigava estudantes islâmicos radicais terminou com dezenas de mortos.O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, suspendeu o juiz Chaudhry após acusá-lo de abuso de poder. A medida desatou protestos de advogados, que defendem a independência do Judiciário, e de partidos de oposição, que buscam acabar com os oito anos de governo de Musharraf.A explosão de ontem ocorreu a 30 metros de um palanque onde Chaudhry deveria discursar para seus partidários. Ele ainda não tinha chegado ao local. "Vi pedaços de corpos e membros espalhados por toda parte", afirmou o advogado Chaudhry Manzoor Ahmed."Foi um ataque suicida. Se tivesse sido apenas uma bomba, haveria uma cratera", disse Khalid Pervez, funcionário de alto escalão da prefeitura da capital. "Foi um ataque contra o juiz", afirmou Munir Malik, um dos advogados de Chaudhry. Nos últimos meses, os discursos de Chaudhry vêm atraindo multidões, desapontadas com o governo militar de Musharraf, que tomou o poder por meio de um golpe em 1999. O juiz apresentou um recurso contra sua suspensão e uma decisão do tribunal deve ser anunciada em breve. Para muitos analistas, Musharraf decidiu afastar Chaudhry por acreditar que o juiz não apoiaria mudanças constitucionais para facilitar a reeleição do presidente.O caso representa o maior desafio ao governo de Musharraf desde o levante na Mesquita Vermelha, esmagado na semana passada. Os confrontos entre as forças de segurança e os radicais entrincheirados na mesquita deixaram pelo menos 102 mortos, na maioria estudantes islâmicos.Outro ataque suicida com bomba matou ontem quatro paquistaneses, entre eles três soldados, num posto militar no Waziristão do Norte, perto da fronteira com o Afeganistão. O atentado ocorreu horas depois que militantes pró-Taleban prometeram lançar ataques contra as forças de segurança em represália ao assalto à Mesquita Vermelha, encerrando dez meses de trégua. Mais de 100 pessoas, na maioria policiais e soldados, foram mortas nas últimas duas semanas no noroeste do Paquistão.Os EUA indicaram ontem que esperam que o Paquistão lance mais ataques militares contra os grupos militantes ao longo da fronteira com o Afeganistão. Richard Boucher, secretário-assistente de Estado, disse que Washington apoiará os esforços militares de Musharraf para conter as atividades do Taleban e da Al-Qaeda nas províncias fronteiriças e continuará ajudando os habitantes da empobrecida região. Como parte desses esforços, os EUA planejam gastar US$ 750 milhões em projetos econômicos, de educação e saúde nas áreas tribais.

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