Khaled Abdullah/Reuters
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Homem-bomba mata 90 em apresentação militar no Iêmen

Ministro da Defesa do Iêmen e chefe do Estado estavam presentes, mas não foram atingidos

MOHAMMED GHOBARI E TOM FINN, REUTERS

21 Maio 2012 | 11h13

SAANA - Um homem-bomba com uniforme militar detonou explosivos que carregava presos ao corpo no meio de uma apresentação militar acompanhada por autoridades na capital do Iêmen, Sanaa, nesta segunda-feira, 21, matando mais de 90 pessoas, informou o Ministério da Defesa.

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Segundo o ministério, outras 222 pessoas ficaram feridas no ataque. O ministro da Defesa do Iêmen e o chefe do Estado-Maior estavam presentes no evento, mas não ficaram feridos no ataque, informou uma fonte militar.

Um homem que disse falar pelo grupo militante Ansar al-Sharia, ligado à Al Qaeda, disse num telefone à Reuters que a organização estava por trás do ataque.

Um porta-voz do Ansar al-Sharia confirmou posteriormente a autoria, dizendo que o ataque era uma resposta aos "crimes" cometidos pelas forças de segurança que lutam contra militantes no sul do país.

A autenticidade da autoria do ataque não pôde ser confirmada.

O ataque coincidiu com uma ofensiva em parceria EUA-Iêmen contra militantes ligados à Al Qaeda no sul do país, onde eles controlam várias cidades. As tropas se aproximaram dos pontos-fortes dos militantes no domingo, após violentos confrontos.

Os militantes provocaram uma instabilidade política no Iêmen e ganharam espaço diante da paralisia vivida na maior parte de 2011 em consequência dos protestos da Primavera Árabe, que acabaram por derrubar o presidente Ali Abdullah Saleh.

O Iêmen é a casa da Al Qaeda na Península Arábica (AQAP) e é considerado pelos Estados Unidos uma grande ameaça, não apenas para a segurança da região mas também para a sua própria proteção. O Ansar al-Sharia é ligado à AQAP.

Um instrutor militar dos EUA ficou ferido em um ataque a uma equipe militar norte-americana no domingo.

Nesta segunda-feira, pedaços de corpos e sangue ficaram espalhados pela avenida de 10 faixas onde acontecia a apresentação militar. A área foi isolada pelas autoridades.

"Estávamos num desfile, de repente houve uma explosão enorme. Dezenas dos nossos homens morreram. Nós tentamos ajudá-los", disse um homem que identificou-se como coronel Amin al-Alghabati, com as mãos e o uniforme sujos de sangue.

"O homem-bomba estava vestido com uniforme militar. Ele tinha um cinto com explosivos no corpo", acrescentou.

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