EFE
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Homem confundido com atirador de Dallas pela polícia é ameaçado de morte

No Twitter, Departamento de Polícia de Dallas afirmou que Mark Hughes era um dos suspeitos pelo ataque e pediu ajuda para localizá-lo; interrogado e solto, ele nega que tenha disparado contra policiais

O Estado de S. Paulo

08 Julho 2016 | 17h40

DALLAS, EUA - Depois do ataque a uma manifestação racial em Dallas, no Texas, na quinta-feira, 7, no qual ao menos um franco atirador matou 5 policiais e deixou outros 7 feridos, o departamento de polícia da cidade divulgou em sua conta no Twitter a foto de um homem usando uma roupa com estampa militar e o texto "este é um dos nosso suspeitos. Nos ajude a encontrá-lo". 

Foi o suficiente para transformar Mark Hughes em uma das pessoas mais procuradas dos Estados Unidos e colocar sua vida em risco, afirmou seu advogado nesta sexta-feira. "Ele já recebeu milhares de ameaças de morte", disse Corwyn Davis. "Infelizmente, houve uma grande negligência quanto ao uso daquela foto." O advogado afirmou também que os policiais que interrogaram Hughes não teriam o informado sobre seus direitos (medida conhecida como Miranda warning, em inglês), infringindo a lei.

A confusão se estabeleceu porque Hughes, que é irmão de um ativista social que organizou a marcha em nome do movimento "A vida dos negros importam" (Black Lives Matter, em inglês), carregava um fuzil de assalto durante a manifestação - algo permitido pela legislação do Texas, desde que o proprietário da arma tenha uma autorização. Nesta sexta, Davis afirmou que seu cliente estava com sua arma na manifestação porque acredita convictamente na Segunda Emenda à Constituição americana.

Ainda segundo a versão do representante de Hughes, ele recebeu uma ligação pouco depois do início do tiroteio alertando que era procurado pelas autoridades o que fez com que ele entregasse seu fuzil para um policial, que o interrogou e o liberou. Um vídeo divulgado no Facebook mostra o momento em que Hughes entrega o rifle para as autoridades.

Mais tarde, o Departamento de Polícia de Dallas teria voltado a interrogá-lo, por cerca de 30 minutos, o liberando novamente por volta da 1 da manhã (hora local). Segundo o próprio Hughes, a polícia teria questionado o motivo dele querer atirar em policiais. Em entrevista à emissora CBS, ele disse "ser uma mentira" a versão de que uma testemunha teria visto ele disparando sua arma.

Boston. O incidente em Dallas lembra o que aconteceu em 2013, depois das explosões de bombas perto da linha de chegada da Maratona de Boston. Na ocasião, antes de a polícia confirmar a identidade dos suspeitos pelo ataque, muitos nas redes sociais acusaram erroneamente outras pessoas pela ação.Uma aluna da Universidade Brown acusou em sua conta no Twitter um colega de classe, Sunil Tripathi - desaparecido ha semanas -, de ser o autor das explosões depois de ver o retrato falado dos dois suspeitos pelas explosões.

A partir dessa mensagem, um grande movimento digital em sites como Reddit e outras redes sociais se iniciou para tentar localizar Tripathi. Além disso, veículos de imprensa tomaram conhecimento da busca e acabaram noticiando o fato. Como resultado, a família Tripathis recebeu inúmeras ameaças.

Sunil Tripathi, como ficou provado mais tarde, não era o autor das explosões. Apesar de seu corpo só ter sido localizado após o atentado, ele havia cometido suicídio mais de um mês antes do ataque. / WASHINGTON POST

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