Adam Dean/The New York Times
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Em Hong Kong, um estudante é baleado e 51 ficam feridos em protestos

No aniversário de 70 anos da República Popular da China, manifestantes foram às ruas pedir mais liberdade e democracia

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 06h36
Atualizado 01 de outubro de 2019 | 16h27

HONG KONG - Os manifestantes pró-democracia de Hong Kong saíram às ruas para protestar contra Pequim nesta terça-feira, 1º, no dia em que a China comemora o aniversário de 70 anos da Revolução Comunista. Houve confrontos entre a polícia e ativistas, e ao menos 51 pessoas ficaram feridas.

Um manifestante foi baleado no distrito de Tseun Wan. Essa foi a primeira vez que alguém foi ferido por arma de fogo desde o início da onda de protestos. A vítima é um estudante de 18 anos. Ele foi atingido no ombro, segundo a polícia.

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Manifestantes utilizaram coquetéis molotov, e a polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água. De acordo com a CNN, 51 pessoas ficaram feridas. Ao menos 15, com idades entre 18 e 52 anos, foram hospitalizadas.

A RTHK, emissora pública de Hong Kong, retirou alguns repórteres das ruas depois que um deles ficou ferido levemente na cabeça, logo acima do seu olho direito, durante os confrontos.

Uma fonte policial citada pela publicação confirmou que os agentes dispararam várias vezes a esmo no distrito de Tsuen Wan e que um dos tiros atingiu um homem. A justificativa para o disparo seria que o agente que atirou e sua unidade haviam sido atacados durante os confrontos na cidade.

"Um agente atirou depois de ser atacado e o manifestante foi atingido no peito no distrito de Tsuen Wan", afirmou a fonte, que não quis se identificar.

A vítima foi atendida por policiais antes da chegada do serviço de emergência, que o encaminhou a um hospital. Este é o primeiro manifestante baleado durante os protestos. Em agosto, a polícia efetuou disparos para o alto, mas ninguém foi atingido. 

Em um vídeo compartilhado nas redes sociais é possível ver um jovem que se identifica como Tsang Chi-kin no chão, com sangue no peito. "Me dói o peito, me levem a um hospital. Preciso ir ao hospital", pede ele.

Manifestações em Hong Kong começaram em junho

Mobilizados desde junho, os manifestantes alegam que a China viola o princípio "um país, dois sistemas", estabelecido no momento em que o Reino Unido devolveu o território para a China em 1997.

Em 9 junho, uma série de manifestações populares pró-democracia no território semiautônomo motivada por um projeto de lei que previa a extradição de cidadãos de Hong Kong para julgamento na China.

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Aos poucos, a pauta de reivindicações se ampliou incluindo a resistência contra a crescente influência da China no território semiautônomo e a dura oposição contra o governo local que é acusado de ser Pró-Pequim.

No início de setembro, a chefe-executiva de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou a retirada completa do projeto, que já tinha sido suspenso no início de junho, em uma tentativa de conter os protestos. O anúncio, porém, não foi suficiente para conter a onda de manifestações.

A crise é a mais severa em Hong Kong desde 1997, quando o território semi-autônomo foi devolvido pelo Reino Unido à China.

Celebrações na China

Milhares de manifestantes foram às ruas nesta terça para protestar, mesmo sem autorização policial, para celebrar o que chamam de "dia de luto nacional", enquanto a China comemora o 70.º aniversário da fundação da República Popular.

Contudo, alguns manifestantes optaram por táticas mais radicais ao invés do protesto pacífico, e os enfrentamentos violentos com a polícia são quase diários.

Os protestos, que se converteram em massivas manifestações em junho em razão de um polêmico projeto de lei que previa extradições à China, são registrados há quatro meses na região semi-autônoma. As ações se transformaram em um movimento que busca melhorar os mecanismos democráticos que regem o território e uma oposição ao autoritarismo de Pequim. / EFE e AFP

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