Louis Lanzano/Pool via The New York Times
Louis Lanzano/Pool via The New York Times

Homem é condenado em caso de desaparecimento de menino em 1979 em Nova York

Pedro Hernandez foi considerado culpado pela morte de Etan Patz, na época, com 6 anos; Etan foi a primeira criança a ter a fotografia estampada em caixas de leite nos EUA com pedidos de informação à população

O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2017 | 17h28

NOVA YORK - Um ex-estoquista de mercearia foi condenado nesta terça-feira, 14, pelo assassinato de Etan Patz - um dos maiores casos de desaparecimento de crianças nos EUA. O crime ocorreu há quase 38 anos após o menino, então com 6 anos, desaparecer no seu caminho de casa até a parada do ônibus escolar. A foto de Etan foi a primeira a estampar as caixas de leite no país, que adotou, desde então, essa prática para pedir informações à população.   

Pedro Hernandez, de 56 anos, não demonstrou nenhuma reação ao ouvir seu veredicto. Um impasse jurídico de 18 dias de deliberação em 2015 levou a um novo julgamento que durou mais de três meses. Hernandez, que trabalhava em uma mercearia na vizinhança de Etan, confessou o crime, mas seus advogados alegaram que suas admissões eram falsas imaginações de um homem doente mentalmente. 

Segundo o indiciamento, de 2012, Hernandez disse que havia "estrangulado Etan Patz" e o "colocado dentro de um saco plástico, causando portanto a morte em 25 de maio de 1979, em um porão em West Broadway 448". 

Desta vez, o júri deliberou por mais nove dias antes de considerar Hernandez culpado no caso que mudou as práticas e a aplicação da lei para esses casos.  O desaparecimento do menino levou à criação, em 1984, da Lei de Assistência às Crianças Desaparecidas, que estabeleceu uma importante ONG voltada para essa questão.  

A família Patz e autoridades talvez nunca saibam exatamente o que aconteceu ao garoto. Nenhuma pista dele foi jamais encontrada desde aquele maio que ele desapareceu, no primeiro dia em que teve autorização dos pais para caminhar sozinho até a parada de ônibus, um trajeto de cerca de dois blocos, em Manhattan. 

Etan se tornou a primeira criança desaparecida a ter sua foto estampada em uma caixa de leite e o aniversário de seu desaparecimento foi designado como o Dia National das Crianças Desaparecidas. Seus pais deram início a uma campanha nacional pela causa das crianças desaparecidas. Desde então, leis aprovadas estabeleceram uma linha nacional direta para denúncias e tornou mais fácil para as agências envolvidas nos casos compartilharem informações sobre jovens desaparecidos. 

Seu caso alertou pais para que ficassem mais atentos e protetores em um país onde muitas famílias se sentiam confortáveis em deixar suas crianças brincar na rua sozinhas. "Foi uma história preventiva, um momento de definição, uma perda da inocência", afirmou a procuradora-assistente do Distrito de Manhattan, Joan Illuzzi, em um comunicado. "Etan simbolizará para sempre a perda dessa inocência"

A investigação que durou décadas levou investigadores até Israel. Hernandez não era suspeito até 2012, quando novas informações na mídia que cobria o caso relataram que um cunhado do ex-estoquista afirmou à polícia que Hernandez havia dito a um grupo de oração, décadas antes, que tinha matado uma criança em Nova York. Autoridades acabaram descobrindo mais tarde que ele deu declaração similar, totalmente consistente, para um amigo e à ex-mulher nos anos após o desaparecimento de Etan. 

Quando a polícia chegou até ele, em Maple Shade, New Jersey, ele confessou, dizendo que havia oferecido um refrigerande a Etan para atraí-lo ao porão da mercearia, o sufocado e o colocado ainda vivo em uma caixa, onde foi deixado, com pilhas de sacos de lixo em cima. 

"Alguma coisa apenas tomou conta de mim", disse Hernandez em uma de várias gravações de confissão à polícia e procuradores. Ele disse que queria contar o caso a alguém, "mas não sabia como fazer isso". "Eu sinto muito", disse ele. 

Inicialmente, os procuradores trataram sua confissão como palavras críveis de um homem em desabafo, apoiadas pelas admissões menos específicas que ele havia feito antes para parentes. 

Advogados de defesa e médicos definiram Hernandez como um homem com probleemas psicológicos e limitações intelectuais que o levaram a confrontar realidade e fantasia. Eles alegaram que Hernandez confessou falsamente após passar mais de seis horas sendo interrogado e antes de a polícia começar a gravar seu depoimento. 

Sua filha testemunhou que ele falou sobre ter visões de "anjos e demônios" e uma vez "regou um galho de árvore morta", acreditando que ele cresceria. 

"Pedro Hernandez é um homem vulnerável e limitado", disse sua advogada Harvey Fishbein, em sua argumentação final. "Pedro Hernandez é um homem inocente.". Procuradores alegaram que Hernandez fingiu ou exagerou seus sintomas. / AP   

 

 

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