Homem interrompe ato sobre fim de escravidão na Inglaterra

Um manifestante interrompeu com gritos nesta terça-feira, 27, a cerimônia religiosa realizada na Abadia de Westminster, em Londres, para lembrar os duzentos anos do fim do tráfico negreiro no Reino Unido."Deveriam estar envergonhados", foram as palavras de Toyin Abgetu, de 39 anos, que não se intimidou com a presença da rainha Elizabeth II e do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Ele caminhou para diante do altar para expressar seu repúdio ao tráfico de escravos, que foi abolido por uma lei de 25 de março de 1807."Este é um insulto para nós. Quero que todos os cristãos africanos presentes saiam daqui", afirmou Abgetu.O homem, que disse fazer parte do partido político de africanos britânicos Ligali, foi cercado por sete guarda-costas e dois auxiliares da abadia, que o detiveram e o levaram para fora do templo, enquanto dizia à rainha que "pedisse perdão pelo tratamento que seus antepassados deram aos escravos"."A rainha deve pedir perdão. Foi Elizabeth I (1533-1603). Ela ordenou a John Hawkins (o primeiro inglês comerciante de escravos) que navegasse", afirmou o manifestante.Em 1562, Hawkins liderou uma incursão onde hoje é conhecida como Serra Leoa para capturar cerca de 300 escravos. Dois anos depois, a rainha deu um barco ao comerciante de escravos."Esta nação nunca pediu perdão, nunca mencionou os que lutaram pela liberdade da África, e só honra William Wilberforce", o mais famoso abolicionista britânico, acrescentou.Durante o sermão, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, descreveu a escravidão como uma ofensa à dignidade e à liberdade humana.ComemoraçãoNo ato de comemoração da lei que pôs fim ao comércio de escravos, Williams acrescentou que a escravidão foi "persistente e horrível" nas nações e culturas."Nós, que somos os herdeiros dos proprietários de escravos e das nações traficantes de escravos no passado, devemos enfrentar o fato de que nossa prosperidade histórica está edificada em grande parte sobre esta atrocidade", afirmou.

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