Marie Laguerre / Facebook
Marie Laguerre / Facebook

Homem que agrediu jovem francesa após assédio é condenado à prisão

O agressor de Marie Laguerre ficará seis meses em regime fechado, e terá de fazer tratamento psicológico e um curso de 'conscientização sobre a violência de gênero'

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 16h28

O homem responsável por dar um soco no rosto de uma francesa depois de assediá-la acintosamente na rua em Paris, em julho, foi condenado pela Justiça francesa a 12 meses de prisão, incluindo 6 meses em regime fechado. Ele foi julgado por "violência agravada" e admite ser o homem do vídeo, mas nega "a seriedade dos fatos".

O agressor da francesa Marie Laguerre, de 22 anos, um homem francês de 25 anos, foi encontrado e preso em agosto. Ele deverá continuar na prisão para cumprir os seis meses de pena em regime fechado, em Paris. Após os 12 meses de pena, deverá evoluir para um regime de liberdade condicional de 3 anos, com a obrigação de tratamento psicológico e a proibição de entrar em contato com a vítima, a jovem Marie Laguerre, a quem ele terá que pagar € 2.000 em indenização por danos morais.

De acordo com a advogada de Marie, Noémie Saidi-Cottier, o agressor também será obrigado a realizar um curso de treinamento sobre violência contra as mulheres.

As imagens do soco no rosto da francesa Marie Laguerre, de 22 anos, por um agressor e assediador, em julho, correram o mundo via redes sociais. Ela usou o Facebook para relatar como um homem a havia abordado com "ruídos/comentários/assobios/movimentos de língua sujos de uma forma humilhante e provocadora".

"Eu não tolero este tipo de comportamento. Não posso ficar calada, e nós não podemos mais nos calar", escreveu. Segundo ela, o homem jogou-lhe um cinzeiro, seguiu-a e "a agrediu na cara no meio da rua, à luz do dia, diante de dezenas de testemunhas". 

A publicação foi compartilhada junto do vídeo, registrado por uma câmera de vigilância do bar que fica em frente ao lugar onde a agressão aconteceu. O vídeo viralizou e Marie foi entrevistada por vários jornais franceses e pela imprensa internacional. Com o apoio de militantes feministas, ela lançou a plataforma on-line "Nous Toutes Harcèlement" (Somos todos assediados) para que outras mulheres possam dar seu depoimento, se forem assediadas ou agredidas nas ruas.

Um homem suspeito de ter agredido uma mulher em uma rua de Paris, em julho, foi detido na noite da segunda-feira 27. A vítima havia divulgado o vídeo da agressão, que se espalhou pelas redes sociais. 

O homem havia sido levado à Justiça no final de agosto, quando o tribunal solicitou um relatório psiquiátrico do réu. Ele foi então colocado em prisão preventiva. 

Violência contra mulheres

"Estamos muito felizes com esta obrigação do condenado de fazer um curso para aumentar a conscientização sobre a violência baseada em gênero", disse a advogada em entrevista à edição francesa do The Huffpost. "Dura alguns dias e ele vai fazê-lo às suas custas, o que é muito importante. Estar ciente da natureza sexista dos atos cometidos", completou Saidi-Cottier.

Entre júri, advogados e promotoria, todos as partes do julgamento eram mulheres, o que permitiu à advogada estabelecer a natureza sexista dos atos, apesar de a acusação de "agressão sexual" não ter sido mantida contra o acusado. "Durante o processo, o acusado foi muito questionado sobre o que significa assédio sexual", disse a advogada. "Esse foi o principal assunto deste julgamento, e não foi descartado. Apesar de tudo, consideramos uma vitória ".

Imprensa francesa

Assédio na rua, a prova em imagens” é o título da matéria feita pelo jornal Le Parisien, depois que o material viralizou. “O que está em jogo é sério: é a liberdade das mulheres para circular livremente em público”, disse a secretária de Estado responsável pela igualdade de gênero, Marlene Schiappa, em entrevista à publicação, em agosto.

Em agosto, o governo francês fixou uma multa para punir o assédio sexual nos espaços públicos, além de uma promessa feita pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para combater o assédio. / AFP, REUTERS e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.