Bob Strong/Reuters
Bob Strong/Reuters

Homem que assassinou líder sueco nos anos 80 é identificado

Já morto, Stig Engstrom é acusado de atirar em Olof Palme, então primeiro-ministro

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2020 | 18h53

ESTOCOLMO - Mais de 30 anos após o assassinato do primeiro-ministro Olof Palme, a Justiça da Suécia anunciou nesta quarta-feira, 10, o arquivamento do caso, com a revelação de que o principal suspeito está morto. 

Stig Engstrom, agora acusado, conhecido por participar de grupos que faziam uma oposição feroz às políticas de esquerda de Palme, morreu em 2000, aos 66 anos – ele teria cometido suicídio. A família nega que Engstrom seja o autor do crime.

Palme, o carismático líder social-democrata, foi assassinado a sangue frio, com um tiro pelas costas, em Estocolmo em 28 de fevereiro de 1986, aos 59 anos, quando caminhava ao lado da mulher após sair do cinema, sem guarda-costas, que ele havia dispensado na ocasião.

Mais de 10 mil pessoas foram interrogadas nos últimos anos, e ao menos 134 confessaram o crime. Os documentos das investigações ocupam 250 metros de estantes. A arma do crime nunca foi localizada. Hans Melander, o principal investigador, disse que, ao longo dos anos, o caso gerou mais de 22 mil pistas pouco conclusivas.

O assassinato teve um impacto terrível para os suecos. O assassinato foi descrito pelo atual primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, como uma “ferida aberta”. Com encerramento do caso, ele disse esperar “que esta ferida se cure”.

O promotor que assumiu a investigação em 2017, Krister Petersson, disse que, agora, há pouco o que fazer. “Como a pessoa está morta, não posso abrir um processo, ou interrogá-la e, por isso, decidi arquivar o caso.”

Engstrom, um designer gráfico de uma companhia de seguros, que na época do assassinato tinha 52 anos, foi interrogado como testemunha. A polícia o considerou na ocasião pouco confiável, porque ele mudava a versão do caso diversas vezes. Hoje, acredita-se que a intenção dele era justamente confundir as investigações. Engstrom ficou conhecido como “a testemunha da Skandia”, o nome da empresa em que ele dizia estar no dia do assassinato, localizada em um prédio perto da cena do crime.

Marten Palme, filho da vítima, disse considerar Engstrom culpado, mas declarou a uma rádio sueca que, “dada a situação atual, acredito que seja razoável arquivar o caso”.

Outro homem, Christer Pettersson, um viciado em drogas acusado de pequenos roubos, chegou a ser apontado como o assassino, em julho de 1989, depois de ser identificado pela mulher Palme, Lisbeth, em uma apresentação de suspeitos que foi muito criticada. Ele foi liberado poucos meses depois por falta de provas e morreu em 2004. 

O promotor disse que Engstrom agiu sozinho, mas não descarta a possibilidade de complô. “Não encontramos nenhum motivo para apoiar a tese de um complô, mas não está claro que ele não pudesse fazer parte de um”, disse Petersson. A morte de Palme gerou toda espécie de teorias conspiratórias, que iam desde do envolvimento de serviços de segurança da África do Sul, até um crime encomendado pela CIA, a agência americana de inteligência.

O promotor disse que Engstrom, um alcoólatra que tinha sérios problemas financeiros e participava de clubes de tiro, era um crítico severo de Palme – como primeiro-ministro, ele se posicionou contra a Guerra do Vietnã e apoiou os regimes de de Cuba e da Nicarágua. / AFP e REUTERS

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