Homem que atirou no papa João Paulo II deixa prisão

O turco que atirou no papa João Paulo II, em 1981, foi liberado da prisão hoje, após completar sua sentença por crimes cometidos na Turquia. O Vaticano informou que não pretendia comentar o fato.

AE-AP, Agencia Estado

18 de janeiro de 2010 | 10h42

Mehmet Ali Agca, de 52 anos, passou 29 deles na prisão. Há dúvidas sobre sua saúde mental, depois de frequentes relatos de descontroles do preso e de alegações de que ele se intitulava o Messias. Agca deve ainda passar por exames médicos e psicológicos, quando provavelmente será liberado do serviço militar turco.

Em comunicado divulgado hoje e distribuído por seu advogado na parte da fora da prisão de Sincan, nas proximidades de Ancara, Agca afirmou: "Eu proclamo o fim do mundo. Todo o mundo será destruído neste século. Cada ser humano morrerá neste século... Eu sou o Cristo eterno."

O ataque de Agca contra o papa João Paulo II ocorreu na Praça de São Pedro. O pontífice foi atingido no abdome, na mão e no braço direito, mas sobreviveu. O papa se encontrou com o agressor na prisão Rebibbia, na Itália, em 1983, e o perdoou.

O motivo do ataque ainda não é claro. Inicialmente, Agca disse que agiu sozinho, mas posteriormente afirmou que a KGB soviética e a Bulgária estavam por trás da agressão. O advogado dele, Gokay Gultekin, disse que o ex-preso deve conceder entrevistas em breve.

Agca cumpriu sentença por matar o jornalista Abdi Ipekci, em 1979. Ele deveria ficar 36 anos detido, mas fugiu após seis meses de prisão e atacou o papa. O turco teria simpatia pelo grupo militante de extrema-direita Lobos Cinzentos, que enfrentava os esquerdistas turcos nos anos 1970. Ele inicialmente confessou a morte de Ipekci, um dos mais respeitados colunistas de esquerda do país, mas depois voltou atrás.

Após ser extraditado, em 14 de junho de 2000, Agca foi ainda sentenciado a sete anos e dois meses de prisão, por dois roubos na Turquia, em 1979. Autoridades, porém, descontaram o tempo que ele ficou preso na Itália, e ainda houve reduções da pena. Agca agora considera propostas para escrever um livro, vender os direitos para um filme sobre sua história e convites para participar de documentários.

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