Ron Edmonds/AP
Ron Edmonds/AP

Homem que baleou Reagan pede liberdade

Advogado de Hinckley, que desde 1981 está em hospital psiquiátrico, diz que ele não é mais perigoso

O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h04

John Hinckley Jr, o homem que atirou no presidente Ronald Reagan na porta de um hotel em Washington, em 1981, pode voltar a viver em liberdade - assim esperam seus advogados de defesa. Ontem, teve início o julgamento na Justiça americana do pedido para que Hinckley passe gradualmente menos tempo no Hospital Saint Elizabeth's, para doentes mentais, onde está internado desde o episódio.

Era o dia 30 de agosto e Hinckley, então com 25 anos, esperou que o presidente deixasse o hotel após uma palestra. Abriu fogo contra ele, atingindo também o secretário de imprensa, James Brady, o agente do serviço secreto Timothy McCarthy e o policial Thomas Delahanty. Todos sobreviveram - baleado na cabeça, Brady teve a fala e a mobilidade comprometidas.

Hinckley foi preso e descobriu-se uma carta deixada por ele em um quarto de hotel, pouco antes. Estava endereçada à atriz Jodie Foster, por quem se dizia apaixonado: "Querida Jodie, há uma possibilidade de que eu seja morto na tentativa de pegar Reagan."

Hinckley foi absolvido criminalmente por apresentar distúrbios mentais e passou pelo menos duas décadas sob tratamento.

Aos 56 anos, de calça social escura, jaqueta marrom esportiva e gravata listrada, ele se apresentou à Corte ontem, na primeira sessão para decidir sobre seu futuro. Parecendo calmo, cumprimentou seus advogados com a cabeça e respondeu ao "bom dia" do juiz Paul Friedman, segundo a emissora CNN.

Os advogados o listaram como testemunha da própria defesa, mas ainda não estava certo se ele falaria. O julgamento pode durar dias, durante os quais a defesa argumentará que Hinckley já não representa perigo à sociedade.

Ainda segundo a CNN, a acusação preparou um dossiê que mostra o comportamento estranho de Hinckley durante visitas autorizadas à sua mãe, em Williamsburg, na Virgínia, em julho e setembro.

Sem saber que seria monitorado, ele teve o aval do Ministério Público para ir ao cinema e ao shopping center. Segundo a promotora Sarah Chasson, no lugar disso, passou o tempo em uma livraria folheando livros sobre Reagan e perfis de assassinos.

Sarah também apresentou à Corte frases encontradas em um diário de Hinckley, de 1987, como: "Psiquiatria é um jogo de adivinhação" e "nunca saberão a verdade sobre John Hinckley", referindo-se aos médicos. "O hospital não sabe o que Hinckley está pensando e ele quer que seja assim", disse a promotora.

O advogado de Hinckley, Barry Levine, rechaçou as provas. "O que está em jogo é se Hinckley é perigoso e as evidências mostram que não", defendeu, argumentando que, ao deixar o hospital, seu cliente "jamais cometeu um único ato de violência".

Atualmente, Hinckley tem autorização para visitar a mãe dez dias por mês. Em julho, o Hospital Saint Elizabeth's registrou petição para estender o período, a princípio, para 2 visitas de 17 dias no total e, depois, para 6 visitas de 24 dias. Mas os promotores consideram o plano "prematuro e mal concebido".

Psiquiatras, agentes do serviço secreto, um irmão e uma irmã de Hinckley testemunharão no caso. A mãe dele, de 85 anos, não é esperada na Corte. / AP

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