Homem que diz ser da Al-Qaeda toma reféns em banco na França

Polícia de Côte Pavé detém agressor, identificado como Fethi Boumaza, e afirma que ele deve ser desequilibrado

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h08

Um homem que diz ser membro da Al-Qaeda invadiu ontem um banco em Toulouse, no sul da França, e fez quatro reféns por mais de seis horas, até ser preso pela polícia. Segundo o Ministério do Interior, a hipótese mais provável é a de que não se trate de um fanático religioso, mas de um desequilibrado mental, sem relações com o terrorismo.

O ataque ocorreu pouco depois das 10 horas (5 horas de Brasília), quando o agressor, Fethi Boumaza, invadiu uma agência do banco CIC do bairro de Côte Pavé, um dos mais tradicionais da cidade, e exigiu dinheiro dos funcionários, sem apresentar nenhuma arma. Os bancários negaram-se a dar o dinheiro e ele, então, teria sacado um revólver, disparado um tiro e feito quatro reféns, entre os quais o gerente do banco. A polícia foi acionada e cercou a área, impedindo a fuga e fechando uma escola próxima.

Boumaza e um interlocutor da polícia iniciaram negociações. De acordo com o procurador da república em Toulouse, Michel Valet, o homem dizia agir por convicções religiosas e não por dinheiro. Ele também afirmava ter explosivos e ameaçava acioná-los caso a agência fosse invadida.

Após quatro horas de negociações, um primeiro refém foi liberado às 14h30. Uma hora depois, ele soltou outro refém - uma mulher - em troca de comida e água. Uma hora e 15 minutos mais tarde, Boumaza preparava-se para deixar a agência com os outros dois reféns, mas foi cercado pela polícia. No exterior do prédio, três detonações foram ouvidas. Instantes depois, o homem foi controlado. Ferido em uma das mãos e em uma das pernas, foi conduzido ao Hospital dos Bombeiros de Toulouse, onde recebeu tratamento.

O assalto e a tomada de reféns ocorreu na mesma região traumatizada pelos atentados terroristas de março, cometidos pelo extremista islâmico Mohamed Merah, que matou sete pessoas - incluindo três crianças - e feriu outras seis em Toulouse e Montauban. Cerca de 600 metros separam o banco atacado da residência de Merah, onde ele acabou sendo morto pela polícia em uma violenta intervenção.

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