Ketevan Kardava/ Georgian Public / AP
Ketevan Kardava/ Georgian Public / AP

Homem que salvou 7 no aeroporto de Bruxelas vira ‘herói’

Alphonse Lyoura retirou feridos no colo após as explosões de homens-bomba

Renato Machado, ESPECIAL PARA O ESTADO / BRUXELAS, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2016 | 05h00

BRUXELAS - Um funcionário do aeroporto internacional Zaventem, em Bruxelas, alvo de duas explosões de homens-bomba na terça-feira 22, tornou-se um herói na cidade. Testemunhas relataram que ele não deixou o prédio após os atentados para ajudar a retirar pessoas feridas. 

Alphonse Lyoura trabalha como segurança de bagagens e estava organizando malas quando escutou a primeira explosão. Ficou no lugar e sentiu o segundo estrondo. Naquele momento, pessoas desesperadas, feridas, começaram a pedir ajuda.

"Era um pânico generalizado. Eu me escondi e esperei cinco, seis minutos. Algumas pessoas vieram me pedir ajuda", disse o funcionário para a agência AFP no dia dos ataques, mostrando as mãos ensanguentadas. Em seguida, ele correu em direção ao local das explosões para auxiliar as pessoas, carregando-as no colo para fora.

“Ajudei pelo menos sete feridos. Depois, retiraram mais cinco corpos que já não se moviam”, completou. Das cenas mais dramáticas, Lyoura contou ter visto muitas pessoas sem pernas e outras sem movimento, muito ensanguentadas. 

Desaparecidos. Na parede da antiga Bolsa de Valores de Bruxelas, local que concentra manifestações de solidariedade ao povo belga, um pequeno cartaz dividia apoio com as frases escritas em toda a sua parede. A mensagem, acompanhada da foto de uma jovem mulher, pergunta em francês e inglês: “Você viu a minha Atlegrim?”

Embaixo, um número de telefone para contato e a explicação de que se trata de Johanna Atlegrim, de 21 anos, que provavelmente estaria na estação Maelbeek na hora do ataque terrorista. “Qualquer informação será de grande ajuda”, encerra a mensagem.

Cartazes como esse estão espalhados por alguns pontos da região central de Bruxelas e o seu conteúdo também circula pela internet. Mostram uma italiana que trabalha na Comissão Europeia, um casal de americanos que vive em Bruxelas, outro casal de estudantes também dos Estados Unidos, uma jovem belga, um indiano, um britânico, uma belga mãe de duas crianças. Todos estão desaparecidos desde as explosões. Parentes e amigos não conseguiram informações sobre eles nos hospitais, nem nos centros de acolhimento de feridos leves – agora desativados.

Uma publicação belga provocou polêmica ao afirmar que essas seriam as primeiras vítimas da tragédia. Dada a repercussão negativa, voltou atrás e abriu espaço para a publicação desses avisos de procura, atualizando-os quando alguma novidade surge. É o caso de Karen Northshield, localizada pela família em um hospital da região, embora a notícia não fosse animadora. “Karen foi encontrada. Mas seu estado seria crítico”, afirma a mensagem.

Uma das poucas mortes confirmadas oficialmente é do estudante belga Léopold Hecht, de 20 anos, uma das vítimas da explosão na estação de metrô. O jovem chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu aos ferimentos. Sua família divulgou na tarde de ontem que seus órgãos seriam doados. 

O primeiro dia após os atentados foi marcado pela desconfiança de muitos moradores de Bruxelas, que preferiram aguardar o desenrolar dos fatos em casa. A reportagem esteve no início da manhã de ontem na estação Bruxelles-Centrale, um dos principais pontos de embarque e desembarque de pessoas que viajam para trabalhar. 

A fila para entrar na estação estava muito maior em relação ao dia anterior, com os passageiros levando cerca de 15 minutos apenas para entrar no local. Em seguida havia o controle, com a revista de mochilas e bolsas. 

O transporte público manteve o seu funcionamento parcial, com algumas das principais linhas do metrô ainda fora de operação. 

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