Homem que sobreviveu à forca é tratado para nova execução

Iraniano condenado por tráfico de drogas resistiu a 12 minutos pendurado

O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2013 | 02h15

Um homem condenado à morte, por tráfico de drogas, e enforcado na prisão de Bojnourd, no nordeste do Irã, na semana passada, poderá ser executado pela segunda vez. Alireza M., de 37 anos, foi encontrado vivo no necrotério, um dia após o enforcamento.

De acordo com a Anistia Internacional, o juiz responsável pelo caso afirmou que Alireza está em um hospital, mas será executado novamente quando a "equipe médica confirmar que seu estado de saúde é bom o suficiente". A organização pediu ao Irã, na quarta-feira, que pare a execução.

"A perspectiva terrível desse homem diante de uma segunda execução, depois de ter passado por todo o calvário já uma vez, apenas reforça a crueldade e a desumanidade da pena de morte", disse Philip Luther , diretor da Anistia Internacional no Oriente Médio e no norte da África.

"As autoridades iranianas devem suspender imediatamente a execução de Alireza e emitir uma moratória sobre todos os outros (condenados)."

A imprensa oficial do Irã informou que Alireza foi declarado como morto após ter ficado pendurado durante 12 minutos. Quando a família do prisioneiro foi buscar o corpo, no dia seguinte à execução, ele foi encontrado ainda respirando. Segundo a Anistia, um membro da família teria dito que as duas filhas do prisioneiro eram as pessoas "mais felizes do mundo", depois de descobrirem que o pai estava vivo.

"A realização de uma segunda execução de um homem que de alguma forma conseguiu sobreviver a 12 minutos de enforcamento, depois de ter sido certificado que ele estava morto e cujo corpo estava prestes a ser entregue a sua família, é algo simplesmente medonho. Isso denuncia uma falta básica da humanidade que, infelizmente, está por baixo do sistema de Justiça do Irã", disse Luther.

Estatísticas. A Anistia Internacional estima que pelo menos 314 pessoas tenham sido executadas no Irã em 2012. Neste ano, a organização contabiliza 508 execuções, incluindo 221 não confirmadas oficialmente. A maioria dos executados foi condenada por delitos relacionados ao tráfico de drogas.

De acordo com a Anistia, a condenação de Alireza foi, provavelmente, feita pelo Tribunal Revolucionário, cujos processos, muitas vezes, não atendem aos padrões internacionais de julgamento justo.

"É natural que as autoridades iranianas devam combater a sério os problemas sociais, de segurança e econômicos relacionados ao tráfico e ao abuso de drogas. No entanto, a dependência em relação à pena de morte para combater o tráfico de drogas é errada e viola o direito internacional", disse Luther. "As pessoas querem ser protegidas do crime, mas a pena de morte não torna as sociedades mais seguras."

Em 2011, o secretário-geral do Conselho Superior do Poder Judiciário iraniano para os Direitos Humanos, Mohamed Javad Larijani, disse ter dúvidas se a pena de morte reduziria os crimes relacionados ao tráfico de drogas. No ano passado, o número de países onde a condenação à morte existe caiu de 63 para 58, segundo a organização.

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