Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

Homenagem a Tel-Aviv provoca polêmica em Paris

Grupos pró-Palestina e partidos de esquerda condenam evento e lembram violência cometida por Israel; premiê ordena segurança especial

Andrei Netto, Correspondente / Paris

12 de agosto de 2015 | 18h20

O Ministério do Interior da França vai mobilizar hoje mais de 500 policiais para fazer a segurança de um evento de verão a ser realizado pela prefeitura de Paris, que causou uma polêmica em torno do conflito palestino-israelense.

“Tel-Aviv sur Seine”, ou “Tel-Aviv às margens do Sena”, foi programado pela prefeitura na Paris Plage, a praia artificial montada todos os anos às margens do rio. Neste ano, a administração municipal decidiu homenagear a cidade de Tel-Aviv, em Israel, abrindo espaço para foodtrucks, DJs e atividades culturais.

O festival deve começar às 10 horas e terminar às 22 horas, nas imediações da Catedral de Notre-Dame. O objetivo é reproduzir em Paris a atmosfera de Tel-Aviv, conhecida como “a cidade que não dorme nunca”. A homenagem já foi feita a Atenas e ao Rio de Janeiro.

Mas, por se tratar de Tel-Aviv, o evento deste provocou polêmica e rejeição por parte de organizações não-governamentais de defesa da Palestina e de partidos de esquerda. Os críticos lembraram, por exemplo, o aniversário de um ano da operação militar israelense que deixou 200 mortos em Gaza e a recente morte de um bebê palestino e seu pai em um incêndio provocado por radicais pró-Israel no território ocupado da Cisjordânia. Uma petição online reuniu 12 mil assinaturas contra o evento. Nas redes sociais, grupos radicais em favor da Palestina ou contra Israel lançaram uma campanha pelo cancelamento da homenagem.

“Tel-Aviv não é Copacabana e não é possível fazer de conta que isso ocorre fora do contexto político. Estamos em um momento extremamente perigoso”, argumentou Taoufiq Tahani, presidente da organização France-Palestine Solidarité. Ele disse que “o governo israelense é o mais extremista da história, determinado a desenvolver a colonização e a criar obstáculos a toda solução política”.

“Impor o poder colonial nos cais do Sena em uma paródia grotesca da bolha na qual estão presos os habitantes de Tel-Aviv é querer nos impor este modelo de segregação, de discriminação e de violência contra as populações civis”, alegou.

ONGs como Europalestine lançaram um movimento paralelo, o “Gaza Plage”, com o objetivo de perturbar a realização de “Tel-Aviv sur Seine”. O evento ocorrerá entre meio-dia e 21 horas em um espaço vizinho, também próximo à Notre-Dame. O objetivo oficial é enfrentar o que consideram “propaganda” do governo de Israel.

Frente às pressões, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, decidiu manter o evento e publicou um artigo no jornal Le Monde justificando sua decisão. “Por que Tel-Aviv? Antes de mais nada, porque é uma cidade balneária apreciada pelos notívagos do mundo inteiro”, afirmou, lembrando os programas bilaterais entre as administrações das duas cidades.

 “Mesmo em um contexto de violência do conflito palestino-israelense, Tel-Aviv continua uma cidade criativa e aberta a todas as minorias, até mesmo sexuais. Em uma palavra, é uma cidade progressista, detestada pelos mais intolerantes em Israel.”

O risco de confrontos, assim como a ameaça terrorista levaram o premiê Manuel Valls a ordenar um policiamento especial durante o evento.

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