Homenagem de capitão a tripulante provocou naufrágio, diz jornal italiano

Número de desaparecidos foi revisado de 16 para 29; mortos já são seis, segundo autoridades

Jamil Chade, correspondente

16 de janeiro de 2012 | 22h00

 

GENEBRA - A tentativa do comandante do Costa Concordia de fazer uma homenagem a um funcionário do cruzeiro teria provocado o naufrágio na noite de sexta-feira, informou ontem a imprensa italiana. Uma recontagem feita pela Guarda Costeira do país nesta segunda-feira, 16, elevou o número de desaparecidos de 16 para 29 - seriam 25 passageiros e quatro tripulantes.

 

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Uma mensagem deixada no Facebook pela irmã do "homenageado" reforça a tese de que Francesco Schettino saiu da rota indicada pelo sistema informatizado do cruzeiro para se aproximar da Ilha de Giglio. O Costa Concordia naufragou às 21h30 de sexta-feira, ao se aproximar da ilha, na costa do Mar Mediterrâneo. Segundo os jornais italianos, Schettino, que está detido desde sábado, planejara uma surpresa ao chefe dos garçons do cruzeiro, Antonello Tivoli, nascido na ilha, que estava em sua última viagem antes das férias.

 

"Venha ver, Antonello, estamos em Giglio", teria dito o comandante ao funcionário. Segundo o jornal Corriere della Sera. O homenageado pensou que se tratasse de uma brincadeira. Mas assim que percebeu que o barco de fato se dirigia a sua ilha, ligou para seus pais e pediu-lhes que se aproximassem do porto. Segundo a agência Reuters, o comandante teria se aproximado da costa também em respeito a um almirante que estava no grupo em terra.

 

Desde que foi socorrido em Giglio, Tivoli recusa-se a dar declarações. Pessoas próximas dizem que ele se sente responsável pela tragédia. Ainda de acordo com jornais locais, ele teria pedido ao comandante que fosse cuidadoso na aproximação. O navio acabou se chocando contra uma rocha de 20 metros a 150 metros da costa. A colisão resultou num buraco no casco de 70 metros de comprimento. A versão da família do homenageado era a de que o comandante não soou o alarme porque esperava conseguir chegar até o porto da ilha e desembarcar os 4 mil turistas. Mas acabou naufragando após uma fracassada manobra de aproximação.

 

O comandante, com 30 anos de experiência, diz que as rochas não faziam parte dos mapas que dispunha. Ainda segundo a imprensa italiana, o comandante fizera um gesto uma aproximação da ilha semelhante em agosto.

 

Facebook

 

Um indício de que o comandante teria planejado a aproximação é uma mensagem registrada no Facebook da irmã do homenageado, Patrizia Tivoli. Na mensagem colocada às 21h08 de sexta-feira, Patrizia alertava todos os amigos da "visita" do irmão. "Dentro de pouco tempo passará perto o Concordia", dizia. "Uma saudação grande a meu irmão que em Savona finalmente desembarcará para tirar férias."

 

Luigi Foschi, presidente da empresa dona do navio, sustentou ontem a tese de que o erro foi do comandante e insistiu que o navio saiu da rota determinada pelos mapas informatizados a bordo do cruzeiro. Foschi garantiu assistência jurídica ao comandante. A Organização Marítima Internacional (OMI) defendeu cautela para apontar as causas do acidente. Entre a perda do barco, seguros e cancelamento de viagens, o prejuízo da Carnival, empresa que controla metade dos cruzeiros do mundo, pode chegar a US$ 700 milhões, quase metade de seu lucro em 2011. Na segunda, suas ações despencaram.

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