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Homenagem em Havana reúne esquerda latino-americana

O rei emérito da Espanha, Juan Carlos, foi uma das poucas figuras conhecidas de um país europeu a comparecer, além do ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder; o Brasil foi representado pelo chanceler José Serra

O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2016 | 20h12

HAVANA - Os líderes da esquerda na América Latina, filhos espirituais da revolução cubana, somavam-se nesta terça-feira, 29, ao luto pela morte de Fidel Castro, uma cerimônia com a presença de dirigentes de várias partes do mundo. O segundo dia de uma semana dedicada à memória do pai da Revolução Cubana começou com um novo ato de reconhecimento na histórica Praça da Revolução, em Havana.

Como na segunda-feira, os cubanos passaram, durante a manhã no memorial do herói nacional da independência, José Martí, em frente aos retratos de Fidel. Na véspera, milhares prestaram sua última homenagem ao ex-presidente e também assinaram livros em que juravam conservar a herança socialista que durante meio século conduziu o destino de Cuba. Quase dois milhões de pessoas prestaram homenagem hoje a Fidel. 

Na mesma praça, será realizada uma cerimônia na noite desta terça-feira, para a qual foram convidados diplomatas creditados em Havana e dirigentes estrangeiros. A esquerda latino-americana seria a mais representada com os presidentes do Equador, Rafael Correa; da Bolívia, Evo Morales; da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Nicarágua, Daniel Ortega. 

“Estamos aqui para prestar homenagem a um gigante. Aqui está a Venezuela, aqui está a Revolução Bolivariana para dizer: seguimos de pé, seguimos juntos, hoje mais do que nunca com Fidel”, afirmou Maduro ao chegar ao Aeroporto Internacional José Martí. O presidente venezuelano disse estar solidário “ao povo de Cuba nestes dias de despedida à força imortal do comandante Fidel Castro”.

“É difícil e estranho chegar a Cuba e não ter Fidel fisicamente”, comentou Maduro, que destacou a figura do também do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, um dos principais aliados da família Castro, morto em 2013. Maduro e Evo também eram amigos pessoais de Fidel. 

O rei emérito da Espanha, Juan Carlos, foi uma das poucas figuras conhecidas de um país europeu a comparecer, além do ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder. O Brasil foi representado pelo chanceler José Serra.

Outras partes do mundo também responderam ao convite. Chegaram hoje à ilha os dirigentes do Zimbábue, Robert Mugabe; da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang; da África do Sul, Jacob Zuma. “Não poderíamos ficar distante no momento de sua partida, não poderíamos ficar longe, sem vir dizer: ‘Até mais, camarada. Até mais, querido irmão’”, declarou Mugabe, de 92 anos, que está no poder há quase quatro décadas. China e Irã mandaram vice-presidentes.

As cinzas do dirigente repousam em uma urna de madeira que foi exibida pela TV estatal hoje pela primeira vez. O presidente e seu irmão, Raúl Castro, e altos dirigentes do Partido Comunista honraram sua memória na sala Granma do Ministério das Forças Armadas, perto da Praça da Revolução.

Depois desses atos, entre amanhã e sábado, a urna percorrerá cerca de mil quilômetros que separam Havana de Santiago de Cuba. Suas cinzas serão depositadas no domingo no cemitério de Santa Ifigenia de Santiago, que já abriga o túmulo de José Martí. / AFP, EFE e REUTERS

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