Homenagens marcam data da morte de Sérgio Vieira de Mello

Com uma cerimônia às 15h00 de hoje, o Ministério das Relações Exteriores homenageará às 23 vítimas do atentado contra o prédio da ONU em Bagdá, em 19 de agosto de 2003, entre elas o representante da Organização das Nações Unidas (ONU) em missão humanitária no Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Ele tentava reduzir o tempo de permanência das forças de ocupação norte-americanas e inglesas naquele país. "Sérgio não será esquecido por parentes, amigos e pela grande família ONU", disse Carlos dos Santos, diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil. O atentado de agosto de 2003 foi cometido por um motorista suicida, que detonou um caminhão com explosivos em frente ao hotel onde funcionava o quartel-general da ONU em Bagdá. "Quase toda a gente com mais de 15 ou 17 anos de Nações Unidas via nessas pessoas um futuro muito promissor, por conta de sua abnegação e trabalho a serviço da humanidade. Infelizmente, a vida deles foi ceifada de uma forma tão cruel e tão bárbara que ninguém vai esquecer aquela data", declarou o diretor.Sérgio Vieira de Mello, na opinião de Carlos dos Santos, foi um exemplo de abnegação, "um homem de trabalho, silencioso, mas com uma maneira de pensar que o tornou um colega especial, que se doava sem esperar nada em troca alguém que buscava aliviar o sofrimento humano por onde passava". Após o incidente, a ONU se retirou do Iraque, onde Vieira de Mello buscava o diálogo. "Ele sabia que aquela era uma sociedade milenar e com tradições muito profundas, dizia que não ia ensinar nada aos iraquianos. Apenas trabalharia com eles para reduzir o tempo de ocupação norte-americana e inglesa no país", contou o diretor.Nomeado para o cargo no Iraque pelo secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, em maio de 2003, o brasileiro era funcionário da ONU desde 1969. Atuou pela organização na ajuda aos refugiados no Paquistão, Sudão, Líbano, Kosovo, Bósnia e Camboja. Além disso, foi destaque como administrador interino da ONU em Timor Leste, entre 1999 e 2002.Homenagens da ONUEm homenagem ao brasileiro e às outras vítimas do atentado, a ONU também promoverá cerimônias hoje, em Nova York, Genebra e Amã. Segundo o representante das Nações Unidas no Brasil, a mãe de Vieira de Mello comparecerá ao ato em Genebra, a partir das 8h (13h na Suíça), e também o ministro da Cultura, Gilberto Gil, com o concerto "Brasil, Paz no Mundo". Carlos dos Santos informou ainda que uma outra homenagem está sendo preparada para o dia 24 de outubro, Dia das Nações Unidas: será inaugurada uma peça feita com rochas dos cinco Continentes e contendo os quase 2 mil nomes dos que perderam suas vidas a trabalho para a ONU."Temos esperança de que, a longo prazo, teremos outros Sérgios, que seguirão o mesmo trilho que ele seguia, porque eram caminhos que ele estava mostrando que eram certos: do diálogo, da perseverança, e de não solucionar os conflitos pela força, porque ele acreditava que pela força seriam apenas vitórias temporais, não sucessos", disse o representante da ONU. As informações são da Radiobrás.

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