EFE/ Jawad Jalali
EFE/ Jawad Jalali

Ataque a academia militar em Cabul deixa 11 mortos; EI reivindica autoria

Ação com homens-bomba e atiradores também deixou 16 feridos, segundo balanço do Ministério da Defesa; capital do Afeganistão vive momento de grande tensão depois de três ataques em dez dias que deixaram centenas de vítimas

O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2018 | 03h29
Atualizado 29 Janeiro 2018 | 12h47

CABUL - Ao menos 11 soldados morreram em um ataque nesta segunda-feira, 29, contra a Academia Militar de Cabul, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), que aconteceu em um momento de grande tensão com o aumento dos atentados na capital do Afeganistão.

Número de mortes por terrorismo cai no mundo pelo segundo ano consecutivo

Além de 11 mortos, o ataque desta segunda também deixou 16 feridos, de acordo com um balanço atualizado pelo Ministério da Defesa. O EI e o Taleban intensificaram suas ofensivas nos últimos dias e deixaram centenas de mortos e feridos. A escalada provocou indignação e consternação entre os afegãos.

"Dois homens-bomba detonaram os explosivos, outro foi detido, e três foram mortos", afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa, general Dawlat Waziri. "As forças afegãs apreenderam um lançador de foguetes, dois rifles Kalashnikov e um colete com explosivos", disse o general.

O EI reivindicou o "ataque suicida" em uma mensagem divulgada em grupo de propaganda jihadista no aplicativo Telegram.

As forças especiais afegãs foram enviadas para o local e para o bairro próximo à academia, um imenso complexo de mais de 40 hectares na zona oeste de Cabul. 

Ataque à ONG Save The children termina com dois mortos no Afeganistão

Este ataque foi o terceiro em apenas dez dias na capital afegã, depois do atentado contra um grande hotel em 20 de janeiro e da explosão de uma ambulância-bomba no sábado, no centro de Cabul. A área é considerada uma das mais seguras da cidade por abrigar sedes de organismos internacionais, representações diplomáticas e ministérios.

"Os criminosos queriam entrar no batalhão", relatou o general Waziri, ao explicar que o ataque se concentrou no batalhão que fica do lado de fora da academia.

Complexo militar

O ataque começou às 5h (22h30 de domingo, horário de Brasília) com o lançamento de foguetes, granadas e disparos de armas automáticas. "Aconteceu uma grande explosão na entrada, o batalhão respondeu. Não acredito que conseguiram entrar", afirmou pouco depois do início do ataque um oficial que estava no local.

O porta-voz da Polícia de Cabul, Basir Mujahid, confirmou o uso de foguetes e os disparos. A Academia Marshall Fahim, um grande complexo na zona oeste de Cabul, no distrito de Qargah, forma os integrantes do Exército afegão desde que são cadetes até quando se tornam oficiais do Estado-Maior.

Aplicativo de condicionamento físico revela detalhes de bases militares dos EUA e seus aliados

No mesmo local, em outubro, 15 recrutas morreram em um ataque executado por um homem-bomba contra um micro-ônibus. 

Em um dia normal, informou um professor, o local recebe pelo menos 4.000 pessoas, entre cadetes e oficiais, e de 300 a 500 instrutores, afegãos e estrangeiros.

A Presidência afegã decretou um recesso em Cabul nesta segunda-feira "para tratar os feridos" do massacre de sábado, quando uma ambulância-bomba deixou 103 mortos e 235 feridos.

O ataque provocou grande comoção entre os afegãos e levou o governo a decretar um dia de luto nacional no domingo.

Alvo recente de vários ataques executados tanto pelos combatentes do Taleban quanto pelo EI, Cabul se tornou um dos locais mais perigosos do país para os civis.

Em 20 de janeiro, combatentes talban atacaram o Hotel Intercontinental de Cabul e mataram pelo menos 25 pessoas, estrangeiros em sua maioria.

Persistem, porém, dúvidas sobre o número de vítimas e divergências entre o balanço do governo e as informações da imprensa afegã que citam um número maior de mortos.

A cidade está em alerta máximo e teme novos ataques. Os estrangeiros foram advertidos sobre possíveis atentados do EI contra supermercados, hotéis e lojas. / AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.