Homens armados fazem 50 reféns em Bagdá

Um grupo de homens armados, vestindo uniformes das tropas do Ministério do Interior, seqüestrou cerca de cinqüenta trabalhadores de um escritório de transportes no bairro de Al Salhiya, no centro de Bagdá, informaram fontes policiais. O ataque representa mais um retrocesso nos esforços do premier Nouri al-Maliki para restaurar a segurança na capital. As vítimas foram levadas em mais de uma dúzia de veículos, segundo as testemunhas e funcionários de empresas locais. De acordo com a polícia, entre os seqüestrados há dois cidadãos sírios. Os atacantes chegaram no distrito comercial no meio da manhã e começaram a capturar pessoas aleatoriamente. Várias companhias de transporte possuem sedes na região, onde ônibus transportam passageiros para a Jordânia, Síria e Líbano, informou o tenente-coronel Falahal-Mohamedawi."Todos os trabalhadores capturados eram de empresas próximas e lojas locais", disse o funcionário da companhia de transporte Swan, Mohammed Eleibim, sediada em Al Salihiya.Segundo Eleibim, seu irmão e um primo estavam entre os seqüestrados, junto com comerciantes, passantes e até vendedores ambulantes de sanduíches."Eles (os captores) não apresentaram nenhuma razão para a ação", afirmou Eleibim. "A polícia veio em seguida e não fez nada", denunciou. Outro funcionário de uma empresa de transporte, Amjad Hameed, disse que 15 carros da polícia foram usados no seqüestro. Segundo ele, forças americanas e iraquianas foram ao local em seguida. Outras testemunhas disseram à uma emissora de TV iraquiana que homens armados bloquearam as ruas e espancaram as pessoas antes de colocarem sacos nas cabeças dos seqüestrados e encaminhá-los aos veículos. A autoria do ataque ainda não é conhecida, mas o Ministério do Interior negou que a polícia estivesse envolvida. O Ministério, dominado por políticos xiitas, controla a polícia e é acusado de apoiar milícias envolvidas em atos de violência sectária. O incidente foi o mais recente da série de retrocessos enfrentada pelo primeiro-ministro al-Maliki, que anunciou um plano no final de maio para restaurar a ordem em Bagdá. O premier não revelou detalhes do plano, e a violência persiste na capital de 5 milhões de habitantes.Centenas de pessoas foram seqüestradas nos últimos meses no Iraque, sendo que muitas acabaram executadas por seus seqüestradores. Agentes da polícia encontraram nesta segunda-feira, em dois locais diferentes, os corpos de sete pessoas com sinais de tortura e com marcas de tiros na cabeça e no peito.Seis dos mortos foram encontrados no bairro de Al Dura, no sul da capital iraquiana, enquanto o sétimo corpo, de um membro da milícia xiita de Al Badr, foi encontrado em uma área ao sudoeste de Bagdá.Matéria atualizada às 16h15

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