Homens-bomba atacam hotéis na Indonésia e matam oito

Mais de 50 pessoas foram feridas nas explosões em Jacarta; terceira bomba foi desativada num dos quartos

17 de julho de 2009 | 07h39

Destruição no hotel  J.W. Marriott. Foto: AP    

 

 

JACARTA - Pelo menos oito pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas em duas explosões que atingiram dois hotéis de luxo no distrito financeiro de Jacarta, capital da Indonésia, segundo informações da polícia. Este é o pior atentado desde o ocorrido em 2003. Horas mais tarde, a polícia confirmou que dois suicidas foram os responsáveis pelas explosões.

 

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O Ritz-Carlton e o J.W. Marriott estavam ocupados por vários estrangeiros, muitos dos quais executivos que participavam de um fórum de negócios no J.W. Marriot. Mais tarde, a polícia informou que uma terceira bomba foi desativada num quarto do Marriott. O artefato estava pronto para ser detonado e foi descoberto por agentes da brigada antiterrorista em uma suíte do 18º andar, local onde, segundo o ministro para a Segurança da Indonésia, Widodo Adi Sucipto, os supostos autores dos atentados estabeleceram sua central de controle. O chefe da polícia, general Bambang Hendarso Danuri, disse que também estão procurando outros responsáveis do massacre,

 

O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, disse que os atentados são atos terroristas e podem ter amplo impacto na economia e nos negócios do país. Os atentados podem ser uma retaliação à ação do governo da Indonésia, que está engajado em uma ampla campanha contra os terroristas e tem colocado seu Exército para desmobilizar grupos militantes em seus principais redutos.

 

A primeira explosão aconteceu por volta das 7h40 (horário local e 21h45 em Brasília). A segunda foi ouvida minutos depois. As bombas destruíram janelas e espalharam vidros e escombros pelas ruas. A explosão no Ritz-Carlton se deu no porão, enquanto a no Marriott ocorreu no terceiro andar, onde fica o restaurante, que costuma ser usado para cafés da manhã de trabalho.

 

Inicialmente, a polícia informou que nove pessoas haviam morrido, mas mais tarde reduziu o número para oito. Eles também esclareceram que uma explosão numa estrada ao norte da capital, que originalmente se pensava ser consequência de um carro-bomba, foi na verdade resultado do curto-circuito em um veículo. A emissora indonésia TVOne mostrou imagens do circuito fechado de TV que mostram o suspeito de ser o homem-bomba que atacou o Ritz-Carlton. Ele usava um boné e carregava uma mala com rodinhas pelo saguão do hotel.

 

As suspeitas pesam sobre o Jemaah Islamiah, grupo militante acusado pelo ataque anterior ao Marriott, assim como do ataque a bomba na ilha de Bali, em 2002, que matou 202 pessoas. O grupo, que tem como objetivo a criação de um Estado islâmico em partes do sudeste da Ásia, é apontado como responsável por uma série de ataques em 2005, mas desde então muitos de seus integrantes foram presos.

 

Várias embaixadas e algumas grandes instituições financeiras têm escritórios na região. Algumas das vítimas participavam de um fórum de negócios no J.W. Marriot, organizado pela CastleAsia, conhecida empresa de consultoria da Indonésia. Entre os mortos está Timothy Mackay, diretor-executivo da Holcim Indonésia, empresa suíça de cimento. James Castle, fundador da CastleAsia, ficou ferido. Outro ferido identificado foi um ex-presidente das operações da Rio Tinto na Indonésia, Noke Kiroyan.

 

Havia vários anos não ocorriam atentados na Indonésia. As eleições presidenciais do mês passado ocorreram pacificamente, destacando o progresso obtido pela nação muçulmana mais populosa do mundo - mais de 240 milhões de habitantes - desde o caos e a onda violência que ocorreram após a queda do ditador Suharto no final dos anos 90.

 

Em 2000, ataques a bomba em igrejas deixaram 19 mortos. Em 2002, dois ataques contra duas boates mataram 202 pessoas, a maioria de origem australiana. O hotel Marriott foi alvo de um ataque em agosto de 2003, que matou 13 pessoas. Em 2004, uma bomba explodiu do lado de fora da embaixada da Austrália em Jacarta, matando nove pessoas. Segundo analistas, desde então, a combinação de novas leis, treinamento antiterrorismo, cooperação internacional e medidas de reintegração conseguiu manter a paz na Indonésia.

 

Texto atualizado às 9h25.

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