Homens-bomba matam 23 e ferem 100 em Israel

Dois homens-bomba palestinos explodiram-se quase simultaneamente em dois ataques no bairro de Nev Shaanan, centro de Tel-Aviv, matando pelo menos 23pessoas e ferindo cerca de 100, entre elas vários trabalhadores estrangeiros. Os terroristas morreram na hora. Trata-se do primeiro ataque em Israel desde 28 de novembro de 2002, quando outro atentado, na cidade de Beit Shean, norte de Israel, provocou a morte de seis israelenses e dos dois suicidas palestinos.Três movimentos radicais palestinos reivindicaram a autoria do duplo atentado deste domingo: a Jihad Islâmica e as Brigadas Ezzedine Al-Qasam, braço militar do movimento Hamas e as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, ligadas à Fatah, do líder palestino Yasser Arafat. Em um comunicado divulgado em Gaza, as Brigadas Al-Aqsa identificaram os suicidas como Boraq Halfa e Saber al-Nouri, moradores da cidade de Nablus, Cisjordânia, cujas casas foram destruídas por Israel.Um porta-voz do governo de Israel disse que os atentados são obra de ?organizações terroristas? palestinas que pretendem ?semear o caos? antes das eleições legislativas do dia 28. Por causa dos ataques, pode haver aumento do apoio aos partidos de linha dura, entre eles o Likud, do primeiro-ministro Ariel Sharon. Reuniões urgentes foram convocadas por Sharon e pelo ministro da Defesa, Shaul Mofaz.As explosões ocorreram aproximadamente às 18h30 (14h30 de Brasília) perto da velha estação rodoviária de Tel-Aviv e diante de um restaurante chamado McChina, numa área onde vivem vários trabalhadores estrangeiros ? europeus, chineses, tailandeses. Yitzhak Teva, um barbeiro que ficou levemente ferido, disse que estava trabalhando na hora da primeira explosão. ?A metade da parede caiu em cima de mim e fiquei coberto por cacos de vidro. Fechei a barbearia e então ocorreu a segunda explosão.? Uma testemunha, identificada apenas como Tomer, disse ao Canal 2 de televisão que correu para ajudar os feridos: ?Vi coisas horríveis, pessoas sem pernas, sem braços. Vi dedos.?O ataque de hoje foi o pior contra civis em Israel desde 18 de junho, quando 26 pessoas foram mortas na explosão de uma bomba em um ônibus. O ataque de junho provocou uma grande ofensiva militar de Israel, na qual tropas reocuparam a maior parte das cidades da Cisjordânia. Todos, menos um grande centro populacional da Cisjordânia, permanecem sob controle israelense.A Autoridade Palestina, dirigida por Yasser Arafat, condenou o ataque como ?terrorista?, disse que perseguirá aos instigadores dos ataques com ?firmeza? e rechaçou as acusações do governo de Israel de que é condescendente com o terrorismo. Um ministro palestino, Saeb Erekat, disse que a Autoridade Palestina reiteradamente vem denunciando ?os ataque contra civis, israelenses ou palestinos?.O presidente norte-americano, George W. Bush, condenou os atentados, disse a porta-voz da Casa Branca Claire Buchan. ?Há os que querem sabotar o processo de paz, mas o presidente disse que não será dissuadido. Pessoas inocentes têm o direito de viver em segurança?, disse a porta-voz.Nos últimos 27 meses, as milícias palestinas cometeram vários atentados suicidas em Israel. O governo egípcio e o movimento Fatah, do líder palestino Yasser Arafat, têm tentado convencer a Jihad Islâmica e o Hamas, o maior grupo radical palestino, a pôr fim aos ataques contra civis em Israel. Conversações nesse sentido foram realizadas no Cairo e planejava-se sua retomada na próxima semana. Não se sabe se os atentados de hoje afetarão a realização das conversações.

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