Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

Homens com facões,mulheres cobertas

Conservadora, sociedade iemenita ficou marcada pelas guerras entre tribos do norte e sul do país

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2010 | 00h00

No Iêmen, roupas brancas com facões na cintura equivalem ao terno e gravata do Ocidente. As facas são de distintos modelos e materiais. As chinesas custam US$ 20. As melhores chegam a milhões de dólares. Quanto mais antigas, mais caras. Ironicamente, o presidente Ali Abdullah Saleh prefere o terno e gravata.

As mulheres de Sanaa cobrem-se de preto - incluindo o rosto. São poucas as que usam apenas um lenço na cabeça. Apesar disso, ao contrário das sauditas, dirigem e podem andar sozinhas. Nos restaurantes, há divisão. Uma sala para mulheres, outra para homens. Mas famílias podem comer juntas, o que é comum na quinta e sexta-feira (o fim de semana iemenita) em cidades como Áden e Sanaa, as mais importantes do país.

A história do Iêmen pode ser contada por meio da evolução dessas cidades. Áden serviu de entreposto britânico nos séculos 19 e 20. Entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico, era ideal para uma escala nas viagens para a Índia. Sanaa era governada por imãs e sua população era rural e atrasada se comparada à mais cosmopolita Áden. Só tinha conexões com a Península Arábica.

A independência das duas regiões também ocorreu por vias distintas. O norte, de Sanaa, tornou-se independente com o colapso do Império Otomano. Em 1962, o regime dos imãs foi derrubado e foi instaurada uma república inspirada no Egito de Gamal Abdel Nasser, defendendo o "arabismo" e o "nacionalismo" - a República Árabe do Iêmen (ou Iêmen do Norte), que na Guerra Fria não era alinhada aos EUA, apesar de ser capitalista.

Já o sul, de Áden, depois de expulsar os ingleses, adotou o único regime socialista do mundo árabe, com apoio soviético. Na República Popular Democrática do Iêmen (Iêmen do Sul) a propriedade privada foi abolida. As mulheres adquiriram mais direitos do que em outro país da região. Na época, poucas se cobriam, o que ainda se reflete no ambiente mais liberal dessa cidade.

Tanto o norte quanto o sul enfrentaram uma sucessão de golpes e guerras civis nos anos 70. Em 1977, Saleh assumiu o poder no norte. Ná década de 80, os dois lados entraram em conflito. Com o fim da URSS, o sul concordou com a unificação. Saleh tornou-se o presidente da nova República do Iêmen. Reeleito diversas vezes, ele tem mandato até 2013.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.