''Homens não foram feitos para viver sob a terra''

NEUCHATEL, SUÍÇA

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

Ismail mostra à reportagem o "quarto" onde mora e divide o espaço com outros seis refugiados. "Toque a parede. Ela está úmida", diz. "Homens não foram feitos para morar debaixo da terra. Perco a noção do tempo, se já amanheceu", afirmou. Segundo ele, a solidão do subterrâneo já causou casos de depressão. "Muitos se sentem muito sós, perdidos e sentindo que estão na prisão", afirmou.

Nas proximidades, outro abrigo antinuclear, na cidade de Chaux de Fond, usado para os refugiados foi palco de uma revolta na semana passada. Imigrantes da Tunísia, Eritreia e Líbia recusaram-se a morar ali, acusando o governo de tratamento desumano. A cidade é o berço de Le Courbusier, pai da arquitetura moderna. Mas os abrigos têm pouco da reflexão sobre como humanos devem viver.

A assessoria de imprensa do Departamento do Interior da Suíça admitiu ao Estado que os locais onde estão os imigrantes "não são ideais". Mas alerta que tem recebido um número cada vez maior de pedidos de asilo. Em março, foram 610 a mais do que em 2010. Em abril, já foram mais de 750 além do padrão. A Suíça estima poder receber 12 mil refugiados por ano. Mas, desde 2008, esse fluxo já subiu para 17 mil. Neste ano, o teto deve ser ultrapassado mais uma vez, com a chegada de imigrantes da Tunísia, Egito e Líbia.

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