Homicídios aumentaram 12% em 2012 na Venezuela, diz governo

País teve 16 mil mortes no ano passado, 92% delas por arma de fogo e a maioria nos seis Estados mais populosos

CARACAS, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h04

A taxa de homicídios na Venezuela, o país mais violento da América do Sul, aumentou 12% em 2012, em comparação com 2011, informou ontem o Ministério do Interior do país. Foram 16 mil mortes, 92% delas por armas de fogo. A relação de homicídios para cada 100 mil habitantes subiu de 50% para 55,2%.

"Hoje trabalhamos com uma premissa importante: usar todos todos os meios que temos para lidar com o problema da violência urbana", disse ministro do Interior Néstor Reverol.

ONGs independentes, no entanto, dizem que o número de mortes foi superior. Segundo o Observatório Venezuelano de Violência, o número de homicídios na Venezuela no ano passado chegou a 21 mil, o equivalente a uma taxa de homicídio de 73 por 100 mil habitantes.

Ainda segundo o ministro, 60% das mortes violentas ocorreram em seis Estados: Miranda, Aragua, Distrito Capital (que reúne parte de Caracas), Lara, Carabobo e Zulia.

O vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, declarou na quinta-feira que o governo começará uma série de esforços para reduzir essas cifras. Entre as medidas, as lideranças chavistas pretendem modernizar a polícia, desarmar a população e reduzir a impunidade. "Temos de reduzir a corrupção nos tribunais", disse Maduro.

Rumores. O governo venezuelano voltou a desmentir ontem rumores sobre o estado de saúde do presidente Hugo Chávez, que se recupera de uma quarta cirurgia contra um câncer pélvico. O governador de Barinas, Adán Chávez, irmão do líder bolivariano, e o ministro de Ciência e Tecnologia, Jorge Arreazza, genro do presidente, desmentiram uma reportagem do jornal espanhol ABC - que já publicou em outras ocasiões informações equivocadas sobre a saúde do presidente - de que Chávez teria tido morte cerebral.

"Ele está aqui, continuando sua luta, sua batalha, e temos certeza da vitória", disse Adán a partidários do chavismo e um comício em Barinas, Estado natal dos dois.

"A divulgação de rumores absurdos e bizarros pela extrema direita apenas consegue desacreditá-la e afastá-la ainda mais do povo", disse Arreazza, que acompanhou Chávez em Cuba durante os dois meses nos quais esteve internado em um hospital de Havana.

Uma pesquisa divulgada ontem pelo instituto de pesquisas Datanálisis indica que 56,7% dos venezuelanos acreditam que o presidente ainda não está curado, mas deve se recuperar. Ainda de acordo com o instituto, para 46% da população, não é o presidente quem está atualmente tomando as decisões de governo na Venezuela.

"A prolongada ausência de Chávez sua situação grave ainda não se transformaram em pessimismo para a maioria da população", constatou o sociólogo Luís Vicente León, presidente do instituto. O governo ainda não divulgou imagens de Chávez na Venezuela. As últimas fotos foram divulgadas três dias antes de ele voltar a Caracas. Sorridente, Chávez estava no leito do hospital com duas filhas e o jornal Granma. / AFP e REUTERS

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