Homicídios por vingança estão fora de controle no Iraque, afirma Egeland

Episódios de violência sectária e a ação de milícias armadas e de esquadrões da morte criaram uma situação no Iraque na qual os ataques motivados por vingança estão totalmente fora de controle, afirmou nesta quarta-feira o subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para assuntos humanitários, Jan Egeland."Muitas das pessoas assassinadas diariamente no Iraque são executadas ou torturadas", observou Egeland. "Os homicídios por vingança parecem totalmente fora de controle", prosseguiu ele.Citando estatísticas oficiais segundo as quais cem pessoas são mortas por dia no Iraque, Egeland destacou que a violência não tem poupado praticamente ninguém, afetando desde policiais, recrutas, juízes e advogados a mulheres, que têm sido vítimas constantes de crimes de honra.Além das mortes, ele destacou ainda que houve "uma deterioração muito preocupante das condições de vida" para os civis iraquianos, o que resultou no deslocamento de cerca de 315.000 pessoas desde fevereiro. Segundo ele, a violência sectária e as operações militares são os principais responsáveis pelo deslocamento populacional.Na terça-feira, o ministro da Imigração do Iraque, Abdul-Samad Sultan, disse que mais de 300.000 iraquianos foram obrigados a abandonar suas casas desde março de 2003, quando o país árabe foi invadido por forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos em busca de armas de destruição em massa que nunca vieram a ser encontradas.Nesta quarta-feira, porém, Egeland assegurou que os números de que dispõe mostram que cerca de 315.000 pessoas foram deslocadas pela violência desde fevereiro deste ano, quando um ataque a um santuário xiita em Samarra desencadeou uma onda desenfreada de violência que se disseminou por todo o país.

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