Homossexuais desafiam preconceito em Uganda

Mais de 100 pessoas participaram da Parada do Orgulho Gay neste sábado em Entebe, em Uganda, no primeiro evento desse tipo desde que a Justiça do país declarou ilegal a lei antigay que havia sido adotada no começo do ano.

AE-AP, Estadão Conteúdo

09 de agosto de 2014 | 14h53

A passeata aconteceu no jardim botânico da cidade, às margens do Lago Victoria. Muitos participantes usavam máscaras, evitando ser reconhecidos em um país onde homossexuais e seus apoiadores enfrentam uma forte discriminação. Embora os organizadores esperassem a participação de mais de 500 pessoas, menos de 200 apareceram, disse o ativista Moses Kimbugwe.

Segundo ele, muitas pessoas tiveram medo de sofrer violência. "Estamos aqui para caminhar por aqueles que não podem, que temem caminhar. Estamos aqui para celebrar nossos direitos", disse Kimbugwe.

Na semana passada, o Tribunal Constitucional de Uganda decidiu que era ilegal uma lei antigay adotada há cinco meses, porque não havia quórum quando ela foi aprovada. Depois disso, alguns deputados anunciaram que pretendem reapresentar o projeto quando o recesso parlamentar terminar, no fim deste mês.

Durante a passeata, os ativistas levavam cartazes dizendo que não desistirão da luta pelos direitos dos homossexuais e bandeiras com as cores do arco-íris.

Esta foi a terceira parada anual do orgulho gay em Uganda. A primeira, em 2012, foi marcada pela violência, quando a polícia local tentou reprimir os participantes. Segundo a ativista Jacqueline Kasha, neste ano a polícia assegurou aos organizadores que o evento podia acontecer.

"Somos um grupo de pessoas que já sofreu o suficiente. Somos ugandenses que têm o direito de reunião em lugares públicos, e vamos nos divertir", afirmou Kasha. Outros ativistas disseram que a marcha estava originalmente planejada para acontecer em Kampala, a capital do país, a 40 km de Entebe, mas os organizadores foram advertidos pela polícia de que isso poderia ser visto como uma provocação, com riscos à segurança dos participantes.

A homossexualidade era assunto tabu em Uganda até 2009, quando um deputado apresentou um projeto de lei que determinava pena de morte para o que ele chamava de "ofensas homossexuais sérias". O objetivo da lei seria proteger as crianças ugandenses de "homossexuais ocidentais". O projeto foi revisado para remover a pena de morte, substituída por prisão perpétua. Fonte: Associated Press.

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