Homs registra o pior massacre desde o início da revolta

No incidente mais mortífero em nove meses do levante contra Assad, 36 corpos são deixados em praça

ANTHONY SHADID , THE NEW YORK TIMES / BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2011 | 03h06

Num dos piores episódios da carnificina sectária na Síria desde o início das revoltas, dezenas de corpos foram retirados das ruas da cidade de Homs nesta semana, alguns deles esquartejados, decapitados e com sinais de tortura, segundo ativistas e moradores da cidade.

Grande parte do massacre ocorreu segunda-feira quando Homs, no centro da Síria, foi sacudida por sequestros, trocas de tiros aleatórias e assassinatos em represália, de acordo com ativistas. No pior incidente, 36 corpos foram jogados na praça de um bairro situado ao longo de uma linha que separa a maioria muçulmana sunita da minoria alauita, disse Mohammed Saleh, de 54 anos, ativista de direitos humanos que vem tentando conter a crescente tensão sectária.

"O que ocorreu foi um crime em massa", ele disse ao telefone. "Estou muito amargurado. Recebia um telefonema a cada minuto informando que mais alguém tinha sido assassinado." O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, grupo de oposição com sede em Londres, qualificou esse como "um dos dias mais sangrentos desde o início da revolução síria".

Saleh e um outro ativista acusam o governo de insuflar a tensão, agindo de acordo com o que os oponentes qualificam como a velha política de dividir para reinar. Mas ambos afirmaram que as duas partes em conflito, seja por vingança ou incitamento, são responsáveis pelas ações.

Os moradores estão aterrorizados diante do caráter aparentemente aleatório da violência. Alguns disseram temer sair de casa depois das 15 horas. Outros falam de tiroteios constantes numa cidade que tem sido a mais castigada pela severa repressão às revoltas. Próxima da fronteira com o Líbano, Homs, como o restante da Síria, tem maioria muçulmana. Mas em quatro bairros predominam os alauitas, seita muçulmana heterodoxa, que apoia Bashar Assad.

Há muito tempo discriminada e pobre, até para os padrões da Síria, a minoria alauita representa o maior grupo dentro das forças de segurança de Assad que têm reprimido as revoltas. Homs tem também uma minoria cristã que no geral tem se mantido à margem do conflito.

Repetidas vezes, a cidade manifestou diferentes tendências no movimento anti-Assad. Serviu como refúgio para desertores do Exército que, com combatentes aliados, vêm lutando contra as forças de segurança. Embora menos pronunciada do que no interior, a tensão sectária tem crescido e as ações de vingança vêm aumentando. O problema agravou-se tanto que grupos de oposição como o Conselho Nacional Sírio e os Comitês de Coordenação Local têm pedido moderação a seus seguidores, temendo que a situação saia do controle.

"Pedimos às famílias e parentes de sequestrados que não realizem atos de vingança, pois quem pagará por isso serão os reféns e suas famílias e os riscos são enormes para a comunidade inteira", dizia um comunicado do mês passado do grupo Comitês de Coordenação Local.

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