Honduras intima militares que expulsaram Zelaya

Juiz, contudo, se absteve de prender oficiais; Lobo já anunciou que anistiará Zelaya e militares

AE e Efe,

11 de janeiro de 2010 | 19h12

O presidente da Suprema Corte de Justiça de Honduras, Jorge Rivera, aceitou o pedido do Ministério Público e intimou nesta segunda-feira, 11, os seis militares da Junta de comandantes das Forças Armadas a que compareçam ao tribunal na quinta-feira para dar depoimentos sobre a expulsão do presidente deposto do país, José Manuel Zelaya, afastado do poder no golpe de Estado de 28 de junho do ano passado.      

 

 

Ao intimá-los a depôr, contudo, o juiz se absteve de ordenar a prisão dos militares, como havia pedido o Ministério Público ao apresentar o "requerimento fiscal" contra os seis na última quarta, pelos delitos de abuso de autoridade e expatriação. Os militares enviaram Zelaya à Costa Rica depois de o deterem em sua casa no dia 28 de junho. A Constituição de Honduras proíbe a expatriação de hondurenhos.    

 

 

Segundo informações do jornal hondurenho ''La Prensa'', Rivera também aceitou um pedido do advogado de defesa dos seis militares para que eles se apresentem voluntariamente para dar os depoimentos. Após a audiência, o magistrado decidirá "quais seriam as medidas a aplicar, caso estas procedam".

A intimação para que os militares se declarem ocorre no momento em que o Congresso Nacional de Honduras se prepara para a discussão de um processo de anistia política para os envolvidos políticos na crise causada pelo afastamento de Zelaya. O presidente eleito de Honduras, Porfírio Lobo, já disse que pretende anistiar tanto os militares quanto Zelaya.

 

   

Zelaya, que está na embaixada do Brasil em seu país desde 21 de setembro, considera que o Ministério Público, com a anistia, pretende "pôr um manto" na verdade do ocorrido no dia 28 de junho e deixar os militares impunes.

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