Honduras leva a bate-boca entre Brasil e EUA

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, teve um bate-boca ontem com a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, na reunião do Conselho de Segurança. O incidente ocorreu logo depois de o chanceler brasileiro discursar na sessão extraordinária do órgão, solicitada pelo governo brasileiro, em que foi aprovada por consenso uma declaração pedindo o fim das intimidações do governo de facto hondurenho contra a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Em seu discurso, Amorim afirmou que o governo brasileiro tem "indícios concretos" que o regime de Roberto Micheletti tem planos de invadir a embaixada.

AE, Agencia Estado

26 de setembro de 2009 | 07h54

O bate-boca com a embaixadora dos EUA foi presenciado por jornalistas brasileiros. "Este não é o local adequado para este tipo de representação", disse Susan a Amorim quando os dois já estavam de pé e parte dos embaixadores havia se retirado para deliberar sobre a questão apresentada pelo Brasil. O ministro brasileiro respondeu: "Não farei uma discussão teórica sobre isso." Depois de uma conversa inaudível, Amorim acrescentou: "Se fosse a Embaixada dos EUA, você estaria muito irritada." Susan retrucou que "ainda assim não faria comentários". Amorim finalizou dizendo "vá em frente, faça sua declaração".

Ao ser questionada pelo Estado sobre a discussão, Susan respondeu: "Tivemos uma conversa privada que não estamos preparados para partilhar com vocês."

Depois da discussão, Susan seguiu com outros embaixadores para uma reunião a portas fechadas dos 15 membros do Conselho de Segurança. Amorim não participou. Usando palavras quase idênticas às do ministro brasileiro em seu discurso de introdução, a embaixadora leu a declaração do conselho condenando "os atos de intimidação contra a embaixada do Brasil" e pedindo ao "governo de facto de Honduras que encerre as ameaças". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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