Hondurenha diz que eleição foi 'continuidade do golpe'

A hondurenha Lorena Zelaya - que apesar da coincidência de nome não tem parentesco com o presidente deposto Manuel Zelaya - avaliou hoje que o processo eleitoral no país da América Central "foi um teatro do qual o povo não participou". Representante da Frente Nacional de Resistência Popular em Tegucigalpa, Lorena Zelaya classificou a eleição de Porfírio Pepe Lobo como uma "continuidade do golpe" e pediu a convocação de uma assembleia constituinte para aprovar mudanças na legislação do país.

SANDRA HAHN, Agencia Estado

25 de janeiro de 2010 | 20h33

Zelaya foi deposto no dia 29 de junho do ano passado e está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde 21 de setembro. Um acordo entre o presidente eleito e a República Dominicana prevê a concessão de salvo-conduto para que Zelaya deixe o país na quarta-feira, quando Lobo tomará posse. Os países estão divididos no reconhecimento oficial ao governo eleito.

Ela questionou os resultados de comparecimento eleitoral, citando sua experiência na verificação de mesas de votação em Tegucigalpa, e disse que a suposta participação de 60%, divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi uma tentativa de passar a ideia de que a população seria favorável ao golpe. Em sete mesas visitadas às 16h, faltando uma hora para o encerramento do processo, ela contou que a de maior comparecimento registrava 42%.

A abstenção, contudo, não foi uma marca exclusiva deste processo, lembrou ela, citando que houve 40% de ausências na eleição que deu a vitória a Manuel Zelaya. Ela atribuiu a abstenção a descontentamento dos eleitores com os principais partidos e ao fato de que os pequenos não conseguiram mostrar como farão diferença.

Lorena Zelaya disse que Honduras teve muitos golpes de Estado, mas a situação se tornou diferente após o último porque a população cobra mudanças profundas. "Estivemos 190 dias nas ruas, todos os dias", afirmou, sobre a mobilização popular.

A assembleia constituinte é a forma de promover participação popular no governo, reforma agrária e mudança da legislação eleitoral, enumerou a hondurenha, em entrevista durante as atividades do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS).

O momento decisivo para o país será o dia 27 e a saída de Zelaya de Honduras, avaliou Lorena. "Não aprovamos o acordo", reproduziu, sobre o pacto que deve permitir a saída do presidente deposto. Conforme ela, a frente decidiu não dialogar com o governo eleito fora das bases de uma assembleia constituinte.

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