Pedro Pardo / AFP
Pedro Pardo / AFP

Hondurenhos que marcham aos EUA imploram a Trump por ajuda

Caravana migratória saiu no sábado passado da cidade de San Pedro Sula, no norte de Honduras, após uma convocação pelas redes sociais

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 16h47

CIDADE DO MÉXICO - Doris Canales saiu de Honduras assim como milhares de compatriotas em busca de uma nova vida nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, 19, na fronteira da Guatemala com o México, e com um longo caminho a percorrer, ela suplica pela ajuda de Donald Trump e para poder cumprir seu objetivo.

"Queremos que nos dê uma oportunidade de entrar, de poder trabalhar e pagar impostos", implorou esta mulher de 54 anos ao presidente americano, sem conseguir esconder o cansaço pelas extenuantes jornadas para chegar de Honduras ao povoado guatemalteco de Tecún Umán, fronteiriço com o México.

A caravana migratória saiu no sábado passado da cidade de San Pedro Sula, no norte de Honduras, após uma convocação pelas redes sociais. Desde então, os povoados da Guatemala viram com assombro a passagem dos hondurenhos que marcham, inclusive, com bebês e pessoas em cadeiras de rodas. 

Muitos guatemaltecos ofereceram a eles água, comida e abrigo.

Canales sabe que Trump ameaçou fechar a sua fronteira se a caravana de mais de 3 mil hondurenhos conseguir se aproximar dos Estados Unidos, mas não perde a esperança de "tocar o coração" do presidente, que, inclusive, ameaçou cortar a ajuda financeira a Guatemala, El Salvador e Honduras por permitir o seu avanço. 

"A minha mensagem para o presidente dos Estados Unidos é que coloque a mão no coração e nos ajude. Sabemos que aquele país não é nosso, mas em nome de todos os hondurenhos que estão aqui, eu peço ao presidente Trump que nos apoie", insistiu Canales na conversa com a France-Presse.

Embora o governo da Guatemala não conte com uma cifra sobre os hondurenhos que entraram no país, ativistas da Casa do Migrante assinalaram que atenderam mais de 3 mil pessoas, enquanto o México estima que já são 4 mil os que chegaram a Tecún Umán, segundo o chanceler Luis Videgaray. 

'Ele também tem filhos'

Nesta sexta-feira, o bloco de migrantes se preparava para cruzar em grupos a ponte internacional entre Guatemala e México, embora alguns já tenham passado para o território mexicano, inclusive a bordo de balsas que cruzam o caudaloso Rio Suchiate, escapando dos controles oficiais. 

Entre a multidão de migrantes que lotou um campo esportivo da localidade, Oscar Galea, de 31 anos, também pediu a Trump que permita a sua entrada nos Estados Unidos para trabalhar e dar "um futuro melhor para seus filhos". 

"Pedimos ao presidente Trump para pôr a mão na consciência porque ele também tem filhos, talvez eles nunca tenham passado pelas necessidades que tivemos, mas nós apenas queremos trabalhar", acrescentou Galea.

Não somos criminosos

Galea explicou ter deixado seus dois filhos de 3 e 6 anos na cidade natal de La Ceiba e que espera que com um trabalho "no que for" nos Estados Unidos possa ganhar o suficiente para dar a eles "uma boa educação". 

"Não somos criminosos, somos trabalhadores. Não somos membros de gangues", acrescentou Wilber Cruz, de 36 anos, que segurava um cartaz com uma mensagem similar para Trump.

Cruz aproveitou para pedir aos organismos internacionais que lhes dessem apoio porque "não viemos como turistas, mas porque não temos dinheiro e queremos chegar (nos Estados Unidos) e conseguir um emprego". 

"Não somos criminosos, somos pessoas humildes. Os criminosos são os políticos que saquearam Honduras", apontou Galea.

O vice-presidente guatemalteco, Jafeth Cabrera, disse a repórteres nesta sexta-feira que muitos hondurenhos foram manipulados e pagos para participar da caravana, segundo postagens nas redes sociais. 

"Sim, é um erro o que eles estão fazendo, é um equívoco de qualquer líder que queira compor uma sociedade, isso não se aplica", lamentou o alto funcionário. 

Também afirmou que seu governo deu ajuda humanitária e proteção a mulheres, crianças e idosos que participam da marcha, depois de rechaçar a condição do presidente Trump sobre retirar o apoio econômico ao país.

"Para dar ajuda não se impõe uma condição, o que acontece é que é uma situação difícil ver 5.000 pessoas vindo nessa situação, e a relação com os Estados Unidos é forte e bilateral", acrescentou. 

Cabrera comentou que também estão analisando dar um visto temporário para os migrantes, mas solicitaram ao governo hondurenho que esteja "pronto para o retorno se (os migrantes) forem enganados". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.