Hong Kong celebra os 10 anos de devolução

Críticos discutem a implantação da democracia na ex-colônia britânica

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 09h52

A China lembrou neste domingo, 1º, o 10º aniversário da devolução de Hong Kong a seu comando, enquanto os críticos do regime de Pequim saíram às ruas da antiga colônia britânica para reivindicar o direito a escolher seus governantes. Os atos solenes em Hong Kong começaram no início da manhã, quando as bandeiras chinesa e da região foram içadas em frente ao símbolo da cidade, a "bauhinia" dourada. Instantes depois, o chefe-executivo da Região Administrativa Especial, Donald Tsang, e o presidente da China, Hu Jintao, entraram no Centro de Convenções e Exibições para inaugurar o terceiro governo da ex-colônia britânica. Tsang, que chegou ao poder com a vitória nas eleições de 25 de março, jurou o cargo diante de Hu, usando sua inconfundível gravata vermelha. Os membros de seu gabinete também fizeram o juramento. A cerimônia - que foi rápida e realizada diante cerca de duas mil pessoas, entre representantes do governo central, do Executivo e do Legislativo de Hong Kong, empresários e corpo diplomático - serviu para que Hu homenageasse Deng Xiaoping pela concepção do "princípio científico de ´um país, dois sistemas´". O presidente da China, que durante o discurso observou que a democracia de Hong Kong "cresce de modo ordenado", explicou o significado e as implicações do princípio criado pelo falecido líder chinês. Os conceitos "´um país´ e ´dois sistemas´ não podem ser separados, nem contrários", afirmou Hu, que criticou todos os setores da sociedade que não põem os interesses de Hong Kong e da China acima de tudo. Pouco depois do discurso, milhares de manifestantes foram às ruas centrais da cidade, do Parque Victoria aos escritórios do governo regional, mas não pareciam animados para comemorar o 10º aniversário. Para muitos, o exercício do voto universal ainda é algo muito distante. O cardeal Joseph Zen, ativista da manifestação democrática organizada pela Frente Civil de Direitos Humanos, disse não ter vontade de comemorar quando o povo de Hong Kong ainda luta por direitos como a democracia e a moradia. O presidente da Assembléia Nacional Popular (Legislativo chinês), Wu Bangguo, afirmou recentemente que "o alto grau de autonomia de Hong Kong não é inerente, mas autorizado pelo governo central". O último governador de Hong Kong, Chris Patten, declarou que a Região Administrativa Especial agora é "menos democrática" que quando deixou o governo, exatamente devido ao bloqueio de Pequim à instalação de uma democracia, objetivo ressaltado na Lei Básica. Atualmente, o chefe-executivo, máxima autoridade política de Hong Kong, é eleito por um comitê eleitoral formado por 800 membros dos setores profissionais e sociais, enquanto no Conselho Legislativo (equivalente a um Parlamento) apenas a metade de seus membros é escolhida por voto direto. Até as eleições de março, nenhum candidato a chefe-executivo aprovado por Pequim teve que concorrer com algum opositor. Alan Leong, primeiro político a disputar o cargo com um representante de Pequim, afirmou depois de seu fracasso nas urnas que, apesar de não ter conquistado a vitória, a disputa tinha significado um avanço para o desenvolvimento do debate político. No discurso deste domingo, Donald Tsang anunciou como um dos pontos principais de sua agenda para os próximos cinco anos o desenvolvimento de "um sistema mais democrático". Este ano será publicado um documento, "para que todos possam trabalhar juntos para identificar o modo mais aceitável de instalar o sufrágio universal que melhor sirva aos interesses de Hong Kong", afirmou.

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