Hong Kong elege líder leal à China

Visto como extremamente leal à China, Leung Chun-ying venceu ontem a disputa pelo cargo de futuro governante de Hong Kong, ao fim de uma campanha que revelou divisões na elite da ex-colônia britânica e foi marcada por trocas de acusações entre os dois candidatos alinhados com Pequim.

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

26 Março 2012 | 03h05

C.Y., como é conhecido, obteve 689 dos 1.132 votos do colégio eleitoral integrado por representantes de grupos empresariais e organizações profissionais, a maioria dos quais simpáticos à China continental. Em termos porcentuais, o futuro governante obteve 61% dos votos válidos, mais que o dobro do segundo colocado, Henry Tang, mas bem menos que os 84% conquistados há cinco anos pelo atual ocupante do cargo, Donald Tsang. O candidato dos grupos pró-democracia, Alberto Ho, teve 76 votos.

Leung conquistou popularidade com um discurso em defesa de programas sociais e de habitação popular, em uma região que tem os mais caros imóveis do mundo e sofre com uma crescente desigualdade social.

A renda média mensal das famílias permaneceu estagnada em torno de US$ 2.600 desde que a ilha voltou ao domínio da China, em 1997, enquanto a economia cresceu 60% no mesmo período. "Nós precisamos de medidas que enfrentem os profundos problemas de desigualdade de renda, inflação, moradia, serviços médicos, educação e reforma política", declarou Leung depois da vitória.

Preferido pelos grandes empresários de Hong Kong, Henry Tang viu sua popularidade despencar após confessar adultério e admitir ter construído de maneira irregular uma área de lazer de 200 metros quadrados em seu apartamento, algo que enfureceu a maior parte da população, obrigada a viver em imóveis minúsculos e inflacionados.

Na primeira entrevista coletiva depois do resultado, Leung tentou afastar os temores de que sua eleição representa uma ameaça aos direitos civis da ex-colônia britânica, entre os quais estão a liberdade de imprensa e manifestação.

O novo executivo-chefe assumirá o cargo no dia 1.º de julho, para um mandato de cinco anos. De acordo com promessa feita por Pequim, seu sucessor deverá ser escolhido por voto direto dos 7 milhões de moradores da ilha, em 2017.

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