AP Photo/Kin Cheung
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Hong Kong exterminará hamsters por suspeita de transmissão de coronavírus de animais a humanos

Medida foi tomada após 11 pequenos roedores testarem positivo para coronavírus em uma pet shop

Shibani Mahtani e Theodora Yu / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2022 | 15h00
Atualizado 18 de janeiro de 2022 | 18h10

HONG KONG - Hong Kong pediu que pet shops e cidadãos entreguem às autoridades aproximadamente 2 mil hamsters e outros animais de pequeno porte para que os bichos sejam exterminados, depois de 11 pequenos roedores testarem positivo para coronavírus em uma pet shop. O território também suspendeu as importações dos pequenos animais. 

Autoridades anunciaram a decisão nesta terça-feira, 18, após especialistas em saúde da cidade descobrirem que dois grupos de hamsters, que se originaram nos Países Baixos e chegaram a Hong Kong em 22 de dezembro e 7 de janeiro, representam “alto risco” por carregar o coronavírus. Os hamsters entregues às autoridades serão mortos para “cortar a cadeia de transmissão”, afirmaram autoridades sanitárias. 

“Evidências comprovam que os hamsters estão infectados com o vírus da covid-19. É impossível quarentenar e observar cada um deles, e seu período de incubação poderia ser longo”, afirmou Leung Siu-fai, diretor do Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação. 

O papel de bichos de estimação na transmissão do coronavírus é estudado e debatido desde o início da pandemia, mas na maioria dos casos a infecção parece ser uma via de mão única, com animais contaminados pelos donos geralmente recuperando-se rapidamente. 

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA qualificaram o risco de animais transmitirem o coronavírus para pessoas como baixo, mas notaram que o patógeno “pode ser transmitido para animais pelas pessoas durante um contato próximo”. A exceção parece ser os visons, com casos de humanos sendo infectados pelos bichos. 

Abates na Dinamarca

Em 2020, a Dinamarca exterminou cerca de 17 milhões de visons depois de constatar-se que elas corriam risco de carregar o coronavírus. Posteriormente, o governo admitiu que os animais foram exterminados e enterrados indevidamente, e uma comissão foi estabelecida para analisar o caso. 

Na superlotada Hong Kong, hamsters são bichos de estimação populares, por serem bonitinhos, baratos e fáceis de manter. 

A cidade, da mesma maneira que a China continental, está aferrada firmemente à política “zero-covid”, impondo rígidas obrigatoriedades de quarentena, de 21 dias, a qualquer viajante vindo do exterior. O território conseguiu manter-se várias semanas sem nenhum registro de infecção local por coronavírus até dezembro, quando dois comissários de bordo que retornaram dos EUA infectados pela altamente transmissível variante Ômicron circularam pela comunidade. 

Na semana passada, descobriu-se que uma mulher de 23 anos que trabalha numa pet shop de Hong Kong chamada Little Boss, em Causeway Bay, foi infectada pela variante Delta, rara na cidade. Ao mesmo tempo, vários hamsters da pet shop também testaram positivo para coronavírus. Agora, as autoridades sanitárias de Hong Kong estão investigando isso como um possível caso de transmissão de animais para humanos, porque outras duas infecções em humanos, uma confirmada e outra com teste positivo preliminar, foram ligadas à loja de bichos de estimação.

Uma decisão de saúde pública

Thomas Sit, veterinário e diretor-assistente do Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação, afirmou que o governo não quer exterminar todos os hamsters, mas trata-se de uma decisão de saúde pública. 

“Você tem de entender que os hamsters [que] já foram infectados estão excretando o vírus; eles podem infectar outros animais, outros hamsters e seres humanos”, afirmou Sit. “Temos de proteger a saúde pública, não temos escolha.” 

Sit acrescentou que, se as investigações constatarem que os hamsters foram infectados durante o processo de importação, testagens especiais para hamsters serão adotadas em futuras importações, e posteriormente o governo avaliará riscos de infecções em outros animais. 

Autoridades sanitárias ordenaram o fechamento de todas as pet shops que vendem hamsters e determinaram testagens obrigatórias a todas as pessoas que compraram hamsters desde 22 de dezembro. 

“Pedimos que todos os donos dos bichos observem higiene estrita ao manusear os animais e suas gaiolas. Não os beijem nem os abandonem nas ruas”, afirmou Leung.

O governo de Hong Kong reagiu à mais recente onda de coronavírus impondo algumas das mais rígidas medidas de distanciamento social e isolamento desde o início da pandemia por aqui, dois anos atrás. Voos de oito países, incluindo EUA e Reino Unido, e escalas de voos entre 150 países estão banidos atualmente, e estudantes retornaram ao ensino à distância. / TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

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