Anthony Wallace/ AFP
Anthony Wallace/ AFP

Hong Kong mantém alerta de segurança diante de nova onda de protestos

Desde 9 de junho, o território é palco de imensas manifestações, algumas marcadas por incidentes violentos entre a polícia e radicais

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2019 | 08h59
Atualizado 21 de julho de 2019 | 21h44

HONG KONG - Manifestantes críticos à influência chinesa em Hong Kong retornaram neste domingo, 20, às ruas da cidade para pedir a renúncia da chefe do Executivo local, Carrie Lam, tida como dócil à influência de Pequim. Mais de 430 mil pessoas marcharam pelas ruas da cidade, no sétimo fim de semana seguido de protesto. Houve confronto nas ruas e até mesmo dentro do metrô.

À noite, a polícia investiu contra manifestantes mascarados usando gás lacrimogêneo e balas de borracha. Em paralelo, um grupo de simpatizantes do governo, também mascarados, atacou opositores em uma estação de trem, espancando várias pessoas, incluindo jornalistas que transmitiram ao vivo o incidente, num tipo de violência política rara na cidade. 

Desde 9 de junho, Hong Kong é palco de imensas manifestações, algumas das quais marcadas de incidentes violentos entre a polícia e manifestantes radicais. O movimento começou em reação a um projeto de lei, agora suspenso, que autorizava extradições para a China continental.

Os protestos expandiram-se, passando a exigir igualmente que as liberdades democráticas desfrutadas por Hong Kong, incluindo a liberdade de expressão e a independência da justiça, fossem mantidas.

“Quando as avós estão na rua, como você pode ficar na frente da televisão?”, questionou Anita Poon, de 35 anos, que veio manifestar pela primeira vez. “O governo não respondeu à voz do povo, e é por isso que vamos continuar manifestando.”

As autoridades reforçaram a segurança neste centro financeiro internacional. As barreiras de metal, às vezes usadas como barricadas pelos manifestantes, foram removidas e a sede da polícia foi cercada por barreiras de segurança plásticas cheias de água.

O movimento de contestação tem sido alimentado pelo desaparecimento de líderes dissidentes, que reapareceram posteriormente em detenção na China continental, pela desqualificação de opositores e pela prisão de líderes do movimento pró-democracia.

Os manifestantes exigem a renúncia da chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, que tem o apoio de Pequim, bem como a retirada definitiva do projeto de lei de extradições, uma investigação independente sobre a violência policial e a anistia das pessoas presas, entre outras demandas.

Por enquanto, não há sinais de que Lam ou Pequim estejam dispostos a ceder mais do que já fizeram. Recentemente, o jornal South China Morning Post informou que Pequim prepara um plano para resolver a questão de Hong Kong, segundo fontes governamentais chinesas.

O veículo sugeriu que há pouco interesse em acalmar o descontentamento público e que o projeto estaria voltado para aumentar o apoio a Lam e à polícia.

No sábado, dezenas de milhares de pessoas se manifestaram em Hong Kong para apoiar a polícia e o governo pró-China.

Ainda no fim de semana, a polícia de Hong Kong anunciou que havia descoberto uma fábrica improvisada de explosivos de alta potência, juntamente com panfletos pró-independência. Segundo a polícia, a descoberta ocorreu em um prédio industrial no distrito de Tsuen Wan na noite de sexta-feira. Um homem de 27 anos foi preso.

Analistas veem distante ainda uma solução para a crise. Steve Vickers, ex-chefe do Departamento de Investigações Criminais da polícia de Hong Kong e que agora trabalha como consultor, afirmou que a situação deve piorar. 

“A polarização dentro da sociedade de Hong Kong e a grande desconfiança entre os manifestantes e a polícia estão se aprofundando”, afirmou. / REUTERS, AFP e AP

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