Hong Kong passa a limitar partos de mulheres vindas do restante da China

Em 2010, foram registrados na cidade 88 mil nascimentos, 41 mil deles de mães chinesas do continente, o que reflete a grande quantidade de mães que tentam violar a política de 'filho único'

Efe,

27 de junho de 2011 | 03h44

PEQUIM - Os hospitais públicos e privados de Hong Kong deixaram de aceitar em abril o agendamento de partos de mulheres procedentes do restante do território chinês que tentam burlar a política de "filho único" e anunciaram que, em 2012, a cota de partos será de 34,4 mil, 31 mil deles em clínicas particulares.

 

Dessa forma, o número de pessoas nascidas na antiga colônia britânica cairá 7% em relação a 2011, afirmou York Chow, secretário de Saúde do Governo de Hong Kong - território submetido a um regime diferenciado de normas e políticas.

 

Em 2010, foram registrados em Hong Kong 88 mil nascimentos, 41 mil deles de mães chinesas do continente - ou seja, 47% do total -, o que reflete a grande quantidade de mães que tentam violar a política de "filho único" do regime de Pequim e buscam abrigo jurídico na Região Administrativa Especial.

 

Segundo o jornal Xin Beijing, uma pesquisa telefônica constatou que 61,1% dos cidadãos de Hong Kong são contrários à realização desses partos em hospitais públicos de seu território. Além disso, 59,7% deles pedem medidas que impeçam as gestantes chinesas de darem à luz até mesmo em clínicas privadas.

 

As mulheres procedentes do restante do território chinês que desejam mais de um filho preferem pagar os custos de deslocamento e parto no território, já que, além do benefício do registro do recém-nascido como cidadão de Hong Kong, ainda se livram da exorbitante multa que teriam de pagar caso tivessem o filho em outra parte da China.

 

Segundo Chow, no primeiro trimestre de 2012 será anunciada a cota para 2013 de partos aceitos de mulheres de outras partes da China.

 

O objetivo declarado das autoridades de Hong Kong com essa restrição é garantir serviços de qualidade, a segurança e a prioridade das gestantes locais e de seus bebês, além de evitar o congestionamento nos departamentos de Obstetrícia de hospitais e clínicas, indica o Xin Beijing.

 

A política do "filho único" foi adotada pela China na década de 1970 como forma de assegurar o controle de natalidade no país mais populoso do mundo, onde cada mulher é proibida de ter mais de um filho. Já o território de Hong Kong, que até 1997 pertencia à soberania do Reino Unido, está isento dessa política por causa de seu status de Região Administrativa Especial.

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