Jerome Favre / EFE
Jerome Favre / EFE

Hong Kong prende ativista pró-democracia Joshua Wong

Visto por Pequim como aliado de ‘forças estrangeiras’, ele é acusado de participar de manifestações não autorizadas em 2019

Reuters, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 08h30

HONG KONG – A polícia de Hong Kong prendeu o ativista pró-democracia Joshua Wong nesta quinta-feira, 24. A justificativa foi a participação dele numa manifestação não autorizada em outubro de 2019 e a suposta violação de uma lei local contra máscaras em protestos, informou a conta do oficial do próprio ativista no Twitter.

A mais recente detenção de Wong se junta a diversas outras acusações de aglomeração ilegal que ele e outros ativistas enfrentam com relação a protestos pró-democracia no ano passado. As manifestações levaram Pequim a impor uma dura lei de segurança nacional em 30 de junho.

As autoridades confirmaram a prisão de dois homens, de 23 e 74 anos, nesta quinta-feira por manifestação ilegal no dia 5 de outubro de 2019. A detenção de Wong, que tem 23 anos, acontece seis semanas depois de o magnata da mídia Jimmy Lai ter sido preso por suspeita de conluio com forças estrangeiras.

Wong é uma figura frequente em Washington, onde já apelou ao Congresso dos EUA por apoio ao movimento democrático de Hong Kong e condenação ao endurecimento da China em relação ao território. As visitas provocaram fúria em Pequim, onde o ativista já foi classificado como a “mão sombria” de forças estrangeiras.

Em junho, Wong dissolveu seu grupo pró-democracia Demosisto, horas antes de o Parlamento chinês aprovar a lei de segurança nacional para Hong Kong, passando por cima da legislação da cidade, num movimento altamente criticado por governos ocidentais.

Agnes Chow, tradicional colaboradora de Wong, e outros dois ativistas estão entre as dez pessoas presas em agosto por suspeita de violarem a nova lei. A legislação imposta pela China pune tudo o que seja considerado subversão, secessão, terrorismo e colaboração com forças estrangeiras, com penas que podem chegar à prisão perpétua.

Joshua Wong tinha apenas 17 anos quando se tornou o rosto dos protestos estudantis do Movimento Guarda-Chuva, mas teve pouca influência sobre os distúrbios, não raro violentos, que sacudiram a antiga colônia britânica no ano passado.

No ano passado, foi imposta por Pequim uma lei contra máscaras para ajudar a políica a identificar os manifestantes suspeitos de cometer crimes. Já o governo de Hong Kong implementou a obrigatoriedade do uso de máscaras na maioria das situações para combater o coronavírus.

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