Hong Kong promove referendo sobre reforma democrática

Milhares de habitantes de Hong Kong fizeram fila para votar neste domingo, se juntando a milhares de outras pessoas que votaram por meios eletrônicos nos três primeiros dias de um referendo não oficial sobre reforma democrática, que foi criticado por Pequim como sendo uma farsa.

AE, Agência Estado

22 de junho de 2014 | 16h17

As tensões cresceram em Hong Kong sobre o poder de escolha dos moradores da antiga colônia britânica sobre o seu próximo líder, que atualmente é escolhido a dedo por uma comissão de 1,2 mil membros, composta principalmente de elites pró-Pequim. A China, que se comprometeu a permitir que os moradores de Hong Kong escolham seu próprio líder a partir de 2017, tem se recusado a permitir que o público faça a nomeação de seus próprios candidatos, dizendo que eles teriam que ser avaliados pela comissão.

Organizadores pró-democracia do movimento Ocupe o Distrito Central com Amor e Paz estão oferecendo aos eleitores três propostas referentes à ideia de nomeação por parte do público. Eles prometeram realizar um protesto em massa se o governo, que realizou uma consulta sobre a reforma eleitoral, não apresentar um plano que atenda às suas exigências. A iniciativa pretende reunir pelo menos 10 mil pessoas para fechar o distrito central de negócios da cidade e alarmou as empresas do centro financeiro asiático.

Há 3,5 milhões de eleitores registrados em Hong Kong, de uma população total de 7,2 milhões. Até as 22h de domingo (horário local), cerca de 700 mil cédulas tinham sido depositadas desde que a votação começou na sexta-feira, incluindo cerca de 440 mil por meio de um aplicativo de smartphone. Outros 200 mil votos foram feitos online, apesar de um ataque cibernético em massa que deixou o site inacessível de forma intermitente e obrigou os organizadores a estender a votação por uma semana, até 29 de junho. Além disso, cerca de 48 mil pessoas votaram em 15 seções eleitorais, que os organizadores estavam operando em dois domingos consecutivos.

O gabinete de conexão do governo central chamou a votação de "uma farsa política que abertamente desafia a Lei Básica", referindo-se à miniconstituição que promete um alto grau de autonomia para Hong Kong, sob o princípio de "um país, dois sistemas", depois que se tornou uma região chinesa especialmente administrada em 1997. O atual líder de Hong Kong, o chefe do Executivo Leung Chun-ying, também disse que as três propostas de reforma democrática não estão em conformidade com a lei. O secretário de Justiça, Rimsky Yuen, afirmou que não há "simplesmente nenhuma base legal" para a votação, que deve ser vista apenas como "uma expressão da opinião do público em geral". Fonte: Associated Press.

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