Lam Yik Fei/The New York Times
Lam Yik Fei/The New York Times

Hong Kong recorre a ‘confinamentos-surpresa’ para frear contágios

Segundo o jornal britânico 'The Guardian', equipes policiais têm feito operações em áreas residenciais nos últimos dez dias para forçar os moradores a serem testados para o novo coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2021 | 18h32

HONG KONG – As autoridades de Hong Kong estão adotando a estratégia de confinar quarteirões sem aviso prévio na tentativa de conter os novos surtos de covid-19 no território do Sudeste Asiático. Segundo o jornal britânico The Guardian, equipes policiais têm feito operações-surpresa em áreas residenciais nos últimos dez dias para forçar os moradores a serem testados para o novo coronavírus. A multa para quem se recusar é equivalente a 645 libras (cerca de R$ 4.722).

Trata-se de um desdobramento do novo lockdown imposto mês passado. Os 7,5 milhões de habitantes de Hong Kong vivem, há um ano, sob diferentes graus de restrições, o que parece ter funcionado para impedir a disseminação dos contágios na cidade. Oficialmente, há registro de mais de 10 mil casos e cerca de 180 mortes desde o início da pandemia. Mas, nas últimas semanas, o território foi atingido por uma quarta onda de infecções.

O Guardian explica que deve ser feito um “confinamento-surpresa” por dia nas próximas semanas, com duração de 12 a 48 horas cada. Na madrugada de 27 de janeiro, por exemplo, a polícia estabeleceu um perímetro de segurança em torno de 20 prédios no bairro de Yau Ma Tei, no sul de Hong Kong. Todos os acessos foram fechados e os residentes ficaram confinados até que as autoridades realizassem testes de diagnósticos em todos.

Um vídeo de uma das ações circulou pelas redes sociais e mostra policiais correndo com uma fita de contenção enquanto pessoas na rua tentam desviar do isolamento:

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, explicou que essa política de “confinamentos inesperados” é necessária para evitar que as pessoas fujam antes da chegada dos responsáveis pelas operações. “Agradeço aos habitantes do setor por sua cooperação”, declarou Lam em sua página no Facebook, em 27 de janeiro. 

No fim de janeiro, um confinamento desse tipo acabou fracassando depois que a informação foi vazada para a imprensa horas antes. A polícia foi mobilizada para isolar cerca de 150 prédios no Bairro Jordan, uma das áreas mais pobres e densamente povoadas de Hong Kong, onde surtos surgiram recentemente. As autoridades foram de porta em porta para forçar os residentes a fazerem o teste. Dos cerca de 7 mil exames realizados, apenas 0,17% acusaram positivos para o novo coronavírus.

David Hui, especialista em doenças infecciosas que assessora o governo, defendeu esse tipo de confinamento, pedindo às autoridades que ajam mais rapidamente no futuro para evitar que os moradores fujam antes que as medidas entrem em vigor. “O mais preocupante é saber que o vírus pode se espalhar porque alguns moradores saíram quando souberam que um confinamento em seu bairro seria colocado em prática”, afirmou.

Vozes se levantaram entre lideranças políticas e econômicas para denunciar a forma como esse confinamento foi implementado. Mas as autoridades justificaram sua escala e não descartaram a possibilidade de outros confinamentos do tipo./ Com AFP

 

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