Hong Kong relembra massacre da Paz Celestial; China censura Internet

Dezenas de milhares de pessoas compareceram para uma vigília iluminada por velas em Hong Kong, na segunda-feira, em lembrança da sangrenta repressão a manifestantes pró-democracia na Praça da Paz Celestial e arredores, em 1989.

JAMES POMFRET, REUTERS

04 de junho de 2012 | 15h59

Os manifestantes de Hong Kong se aglomeraram em um parque central, segurando velas em torno de um memorial do 4 de junho e uma réplica da estátua da Deusa da Democracia que foi construída na Praça da Paz Celestial antes de tanques e tropas esmagarem os que estavam protestando.

"Vida longa a democracia. Nunca esqueça o 4 de junho", gritou a multidão, estimada em 180 mil pessoas pelos organizadores do evento.

A China nunca divulgou o número de mortos, mas estimativas dos grupos de direitos humanos e testemunhas variam de várias centenas a vários milhares de vítimas. O aniversário do massacre nunca foi publicamente marcado no continente da China.

Em vez disso, os censores do país bloquearam o acesso ao termo "Mercado de ações de Xangai" nos populares microblogs, após o índice cair 64,89 pontos, uma representação na forma em inglês da data do massacre, 4 de junho de 1989.

Em outra virada, o índice referencial da bolsa de Xangai abriu com 2.346,98 pontos no 23° aniversário dos assassinatos. Os números 46,98 são 4 de junho de 1989, ao contrário.

"Uau, estes números são muito assustadores! Muito legal!", afirmou um microblogger. "O número de abertura e da queda são ambos muito estranhos", disse outro.

A bolsa de valores de Xangai disse que estava investigando.

Para o Partido Comunista que governa a China, todas as discussões das manifestações de 1989 que lotaram a Praça da Paz Celestial e se espalharam para outras cidades continua um tabu, ainda mais neste ano, conforme o governo se prepara para uma complicada transição de liderança.

Mas para Hong Kong, antiga colônia britânica que desfruta de ampla autonomia, a vigília do dia 4 de junho é um evento anual.

(Reportagem adicional de Chris Buckley e Ben Blanchard em Pequim, Melanie Lee, em Xangai, Sisi Tang e Clarie Lee, em Hong Kong)

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