Hong Kong reprime protesto pró-democracia com violência

A polícia usou gás depimenta, bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete contramanifestantes

HONG KONG, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2014 | 02h01

A polícia de Hong Kong lançou bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete para dispersar os milhares de manifestantes pró-democracia que tomaram ontem uma importante avenida e paralisaram parte do centro da cidade para protestar contra a decisão de Pequim de limitar o alcance do sufrágio universal na ex-colônia britânica, devolvida à China em 1.º de julho de 1997.

A polícia também usou spray de pimenta, o que é muito raro em Hong Kong, contra os manifestantes, que haviam forçado um cordão policial em torno dos edifícios que abrigam a sede do governo e do Conselho Legislativo de Hong Kong, diante dos quais acampam há vários dias.

Segundo estimativas de jornalistas da AFP, dezenas de milhares de pessoas se juntaram ontem aos protestos. No sábado, dezenas de manifestantes foram presos.

"Vergonha, vergonha, vergonha", gritavam os manifestantes, que tentavam desesperadamente se proteger das nuvens de gás com guarda-chuvas e capas de plástico. "Temos o direito de ficar e protestar", disse Ryan Chung, um estudante de 19 anos. "O mundo deve saber o que está acontecendo em Hong Kong. Deve saber que queremos democracia, mas não conseguimos isso."

O grupo de defesa da democracia Occupy Central, que há uma semana vem se manifestando em Hong Kong, decidiu ontem partir para o confronto. O movimento, dirigido por dois acadêmicos e um padre, antecipou para ontem seu plano de reunir milhares de ativistas no dia 1.º e tomar importantes áreas do distrito financeiro da cidade para exigir um processo de reforma política.

Em agosto, a China anunciou que o futuro chefe do executivo local seria eleito por sufrágio universal a partir de 2017, mas entre dois ou três candidatos selecionados por um comitê sob a autoridade de Pequim.

Desde que a Grã-Bretanha devolveu Hong Kong à China, o território é regido pelo acordo "um país, dois sistemas", que dá maiores liberdades civis, entre elas liberdade de expressão e de protesto. / AFP

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