Philip Fong/AFP
Philip Fong/AFP

Hong Kong tem sábado com estações de metrô paralisadas e comércio fechado após protestos violentos

População protesta contra proibição de máscaras, baseada em uma lei de 1922 que não era usada há 50 anos; manifestações ocorrem semanalmente desde meados de junho

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2019 | 10h48

Hong Kong amanheceu neste sábado, 05, sem serviço de metrô e com dezenas de lojas fechadas após uma noite de intensos protestos e confrontos entre manifestantes pró-democracia e a polícia. A violência das ações populares foi condenada pela chefe executiva, Carrie Lam, que disse que a população está assustada. "As ações brutais dos manifestantes fizeram Hong Kong viver uma noite escura e acordar semiparalisada neste sábado", disse Lam em uma mensagem de vídeo. "Todo mundo está preocupado e até assustado", acrescentou. 

 

 

As manifestações deste fim de semana ocorrem em resposta à proibição do uso de máscaras decretada na sexta-feira pelo governo, com base em uma lei antiga, que data de 1922 e não era usada há 50 anos. Neste sábado, centenas de manifestantes voltaram novamente nas ruas de Hong Kong, com o rosto coberto e mais uma vez contestando a proibição do governo. 

Após o ataque a dezenas de estações de metrô, a operadora pública MTR anunciou que o tráfego estava suspenso em toda a rede, que transporta quatro milhões de passageiros diariamente. Alguns shopping centers e supermercados permaneceram fechados, assim como muitos bancos chineses cujas fachadas foram cobertas com pichações.

Nas últimas horas, um policial atirou quando seu veículo foi cercado pela multidão e um coquetel molotov explodiu nas proximidades. A polícia argumentou que o agente agiu em legítima defesa. Um adolescente de 14 anos ficou ferido durante os confrotos. Hosun Lee, que se manifestou no distrito comercial de Causeway Bay, afirmou que protestou contra a proibição do uso de máscaras porque isso "é apenas um primeiro passo para o fim", se referindo à teórica autonomia garantida em Hong Kong sob o princípio de "Um país, dois sistemas".

Em alguns bairros, as pessoas estavam na fila para fazer estoques de alimentos em antecipação a futuros confrontos. A polícia enviou mensagens pedindo à população que evitasse sair às ruas em previsão de protestos nos próximos três dias, já que segunda-feira é feriado em Hong Kong. 

Enquanto muitos moradores dizem estar chocados com os incomuns atos de vandalismo,muitos manifestantes pró-democracia declararam simpatia por aqueles que recorrem à violência. A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, se disse "preocupada com os altos níveis de violência em algumas manifestações". "Eu condeno a violência seja do lado que for. O direito à reunião pacífica deve ser respeitado sem restrições, mas, por outro lado, não podemos aceitar que haja pessoas mascaradas gerando violência", afirmou. 

A região britânica está passando pela pior crise política desde junho, quando foi devolvida à China em 1997.  Em 9 de junho, mais de um milhão de pessoas, segundo os organizadores, foram às ruas de Hong Kong para protestar contra um projeto de lei do governo local que autorizaria as extradições à China continental. O executivo de Hong Kong voltou atrás em sua decisão, mas os manifestantes prosseguiram com os protestos, que se tornaram cada vez mais violentos. /AFP

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