Ahmad Masood/Reuters
Ahmad Masood/Reuters

Hong Kong vive mais um dia de protestos violentos com políticos anti-governo

Candidatos pró-democracia reuniram apoiadores, iniciando ato não autorizado pela polícia; posteriormente, protestos que estavam agendados foram proibidos

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2019 | 13h21

HONG KONG - Os protestos pró-democracia em Hong Kong voltaram a registrar confrontos neste sábado, 2, após a polícia ter proibido manifestações que tinham autorização para acontecer. A probição foi fruto de uma manifestação não autorizada que ocorreu antes, mobilizada por candidatos anti-governo às eleições. 

O primeiro ato, no centro da cidade, foi convocado pelos 128 candidatos que se classificam como pró-democracia e se apresentaram às eleições dos Conselhos Distritais, que acontecerão no fim de novembro, para a realização de comícios, após as autoridades proibirem um protesto no local.

De acordo com as leis na região, cada aspirante a cargo pode reunir 50 pessoas, no máximo, sem que haja autorização da polícia. Dessa forma, com 128 candidatos se juntando, a aglomeração poderia contar com 6.400 partidários, sem que houvesse qualquer ilegalidade.

Mais de mil ativistas se concentraram no principal parque do centro da cidade, parte deles com máscaras, em claro desafio à proibição de participar de manifestações com o rosto coberto.

Houve uma advertência dos agentes antidistúrbios pelo uso das máscaras e pela não autorização da concentração. Como as pessoas não atenderam os agentes e não se dispersaram, os policiais lançaram gás lacrimogêneo contra a aglomeração.

Vários ativistas e, pelo menos, dois candidatos às eleições distritais, foram detidos e se juntam aos 2.600 presos desde o início dos protestos em Hong Kong, em junho deste ano.

"Não fazíamos nada ilegal, realizávamos comícios eleitorais e o fazíamos pacificamente. De alguma forma, a ação policial era esperada. Eles violaram as leis e as normas muitas vezes nos últimos meses", afirmou o candidato Adrian Lau.

A partir da repressão dos agentes, grupos de manifestantes se dirigiram para a área que abrange as sedes do governo, do parlamento e da polícia, onde aconteceriam neste sábado outros protestos, estes autorizados pelas autoridades locais.

Diante do grande número de pessoas que começaram a se reunir, houve bloqueio de acessos para o público, o que iniciou uma série de novos confrontos. Caminhões com canhões de água chegaram a ser utilizados para afastar as pessoas.

Manifestantes lançaram coquetéis molotov e pedras contra os homens das forças de segurança, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo.

Às 17h deste sábado (6h de Brasília), a polícia anunciou que estava invocando as leis de ordem pública e, diante da violência registrada, estava proibindo os atos anteriormente autorizados no distrito central de Hong Kong.

A medida acirrou os ânimos entre os manifestantes e os confrontos se intensificaram, com barricadas e mais ataques contra os agentes.

Os protestos em Hong Kong começaram em junho, como resposta a um projeto de lei sobre extradição à China apresentado pela governante do território, Carrie Lam, que já foi retirado pelo governo local.

O movimento, no entanto, se transformou em cobrança por melhora nos mecanismos democráticos e uma oposição cada vez maior as ingerências feitas pelo governo da China. Lam é alinhada aos interesses do governo de Xi-Jinping, um dos motivos para a continuação dos protestos. 

Os confrontos registrados neste sábado em diversos pontos de Hong Kong deixaram um rastro de destruição, principalmente no chamado Distrito Central, inclusive com ataque à sede local da agência de notícias chinesa "Xinhua".

As portas de vidro da sede da agência "Xinhua" foram destruídas por um grupo, que ainda fez pichações no local e provocou pequenos focos de incêndio no interior do prédio da empresa, que foram rapidamente extintos.

A sede da polícia também foi alvo da ação de alguns manifestantes, que lançaram coquetéis molotov e paralelepípedos contra o local. / EFE

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