Phil Noble/REUTERS
Phil Noble/REUTERS

Hospitais britânicos lutam por espaço enquanto os casos de vírus aumentam

Número de contaminações no país se aproxima aos do mês de abril; autoridades culpam a nova cepa de coronavírus, mais fácil de ser transmitida que a original

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2020 | 16h00

LONDRES - Os hospitais do Reino Unido estão cancelando procedimentos que não são urgentes e lutando para encontrar espaço para pacientes com covid-19, à medida que os casos de coronavírus continuam aumentando, apesar das novas restrições impostas para conter uma nova cepa do vírus que se espalha rapidamente.

Ex-presidente da Society for Acute Medicine, Nick Scriven disse na segunda-feira, 28, que o número crescente de pacientes hospitalizados é "extremamente preocupante". “Com os números se aproximando dos picos de abril, os sistemas serão novamente levados até o limite”, afirmou.

Autoridades britânicas estão culpando uma nova variante do vírus pelo aumento das taxas de infecção em Londres e no sudeste da Inglaterra. Elas dizem que a nova versão é transmitida mais facilmente, mas não há evidências de que seja mais grave. 

Em resposta, as autoridades colocaram uma área da Inglaterra que abriga 24 milhões de pessoas sob restrições que exigem o fechamento de lojas não essenciais e permitiram que restaurantes e pubs operem apenas para levar para viagem.

Mesmo assim, as internações hospitalares para covid-19 no sudeste da Inglaterra estão se aproximando e até excedendo os níveis observados no primeiro pico. Os números do governo mostram que 21.286 pessoas foram hospitalizadas com o coronavírus em todo o Reino Unido em 22 de dezembro, o último dia para o qual há dados disponíveis.

O número é apenas um pouco abaixo da alta de 21.683 pacientes com covid-19 que foram registrados em hospitais do país em 12 de abril. Katherine Henderson, presidente do Royal College of Emergency Medicine, descreveu sua experiência de trabalho em um hospital no dia de Natal como "covid de ponta a ponta".

O Reino Unido já registrou mais de 70 mil mortes entre pessoas com o coronavírus, uma das maiores taxas de mortalidade na Europa. O ministro do Gabinete, Michael Gove, disse que mais partes da Inglaterra podem ter que ser colocadas nas mais duras restrições se o número de casos não cair. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte também implementaram fortes medidas de bloqueio.

Reino Unido está proximo de autorizar segunda vacina

Ainda assim, há uma confiança crescente que a ajuda pode estar a caminho em breve, com a expectativa crescendo de que os reguladores do Reino Unido possam autorizar uma segunda vacina contra o coronavírus. A mídia britânica afirma que a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde provavelmente dará luz verde a uma vacina feita pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford.

O regulador autorizou uma vacina feita pela farmacêutica Pfizer e pela empresa alemã BioNTech em 2 de dezembro, tornando o Reino Unido o primeiro país a ter acesso a uma vacina rigorosamente testada. Mais de 600 mil pessoas receberam a primeira das duas injeções necessárias para a vacina.

Se a vacina AstraZeneca-Oxford for autorizada esta semana, o público poderá começar a recebê-la a partir de 4 de janeiro. O Reino Unido encomendou 100 milhões de doses, em comparação com 40 milhões de doses da vacina Pfizer-BioNTech.

A vacina AstraZeneca-Oxford é considerada uma virada de jogo em potencial nos esforços globais de imunização porque é mais barata do que a vacina da Pfizer e não precisa ser armazenada em temperaturas de congelador, facilitando sua distribuição.

Mas teve resultados menos claros de testes clínicos do que suas principais concorrentes. Os resultados parciais sugerem que a injeção é cerca de 70% eficaz para prevenir doenças de infecção por coronavírus, em comparação com a eficácia de 95% relatada para a vacina Pfizer-BioNTech.

Mas os testes produziram dois resultados diferentes com base no regime de dosagem usado. Os pesquisadores disseram que a vacina protegeu contra doenças em 62% daqueles que receberam duas doses completas e em 90% daqueles que receberam meia dose seguida de uma dose completa. No entanto, o segundo grupo incluía apenas 2.741 pessoas - muito pouco para ser conclusivo.

O CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, disse ao jornal Sunday Times que estava confiante de que a vacina funcionaria contra a nova cepa e seria tão eficaz quanto suas rivais. “Achamos que descobrimos a fórmula vencedora e como obter eficácia que, após duas doses, está à altura de todo mundo”, disse Soriot./AP 

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