Hospitais dos EUA sofrem com a falta de medicamentos

A grande maioria dos hospitais norte-americanos teve de restringir o uso de quimioterápicos e de outros medicamentos extremamente importantes para os pacientes nos últimos seis meses para lidar com a escassez, sem precedentes, de alguns medicamentos.

AE, Agência Estado

12 de julho de 2011 | 18h04

Mais de 80% dos hospitais pesquisados pela Associação Hospitalar Americana (AHS, pela sigla em inglês) relataram que tiveram de atrasar tratamentos e quase 70% disseram que os pacientes receberam drogas substitutas menos eficazes. Três de cada quatro hospitais informaram ter racionado ou restringido o uso de medicamentos escassos. Mas em alguns casos, como o do medicamento para leucemia cytarabine, não há substituto.

A pesquisa, que abrangeu mais de 800 hospitais, foi divulgada no Capitólio hoje como parte da pressão para uma tomada de ação do Legislativo. Um levantamento separado realizado pela Sociedade Americana de Farmacêuticos do Sistema de Saúde (ASHSP, pela sigla em inglês) estimou o custo adicional com o trabalho de funcionários dos hospitais para lidar com o problema em US$ 216 milhões por ano. Farmacêuticos e técnicos passam cerca de 17 horas por semana gerenciando a falta de medicamentos.

''Ritmo acelerado''

A Administração de Drogas e Alimentos dos EUA (FDA) relatou um recorde de 178 casos de falta de medicamentos em 2010. Embora a agência não tenha dados relativos a 2011, afirmou que os episódios de escassez "continuam num ritmo acelerado".

A maior parte dos casos envolve medicamentos antigos e genéricos que são administrados por injeção ou por via intravenosa, que incluem drogas para quimioterapia para o tratamento de câncer, antibióticos para tratamento de infecções e alimentação administrada por sonda para pacientes que não conseguem comer. Há também falta de drogas usadas em prontos-socorros e unidades de terapia intensiva.

Mais de 90% dos hospitais relataram falta de medicamentos anestésicos ou usados em cirurgias e usados em tratamentos de emergência e dois terços informaram escassez de quimioterápicos. Quase metade dos hospitais pesquisados relataram ter tido problemas com falta de medicamentos em 21 ou mais situações nos últimos seis meses.

Os problemas com falta de medicamentos estão ficando mais graves em parte por causa da consolidação da indústria farmacêutica, o que significa que muitos medicamentos genéricos injetáveis são atualmente fabricados por uma ou duas empresas como a Teva Pharmaceutical Industries Ltd ou a Hospira Inc. Quando uma empresa tem problemas de fabricação de um produto ou decide parar de produzi-lo, empresas competidoras não conseguem suprir a demanda rapidamente.

A pesquisa da ASHP mostrou que o pior episódio em 2010 envolveu uma droga chamada succinylcholine, um relaxante muscular que é usado para entubar pacientes com problemas respiratórios. O produto é fabricado pela Hospira e pela Sandoz, uma unidade da Novartis. A produção da Hospira foi reduzida no ano passado depois que a companhia não conseguiu comprar a matéria-prima ativa do medicamento e a Sandoz não conseguiu suprir a demanda de forma imediata. A Hospira informou que a produção foi retomada, mas a Sandoz não retornou os pedidos de comentário sobre o assunto.

Projetos

Três projetos de lei que estão no Senado e na Câmara exigem que as farmacêuticas notifiquem a FDA o mais rápido possível quando tiverem problemas que possam resultar na falta de um medicamento. Um dos projetos que está Câmara, apresentado pelos deputados Diana DeGette (democrata do Colorado) e Tom Rooney (republicano da Flórida) propõe que as empresas recebam multas de até US$ 10 mil por dia, com o limite de US$ 1,8 milhão, caso não relatem os problemas.

A medida também vai permitir que a FDA repasse a informação sobre escassez ou potencial falta de medicamentos para que os farmacêuticos dos hospitais tenham ideia melhor sobre a duração da escassez. A Hospira e o FDA apoiam o projeto.

O senador Amy Klobuchar (democrata de Minnesota), coautor de um projeto semelhante que está no Senado, disse que a lei tem como objetivo servir como um sistema prévio de aviso. Embora algumas empresas notifiquem a FDA sobre problemas potenciais como falta de matérias-primas usadas na fabricação de remédios, Klobuchar disse que isso acontece "ocasionalmente". A lei atual exige que as empresas relatem ao FDA casos nos quais elas sejam as únicas fornecedoras de um medicamento e que pretendam deixar de fabricá-lo.

O FDA disse que 38 problemas de falta de medicamentos foram evitados em 2010 quando as empresas voluntariamente notificaram a agência a respeito de alguma droga. Em alguns casos, o aviso prévio dá à FDA tempo para trabalhar com outras fabricantes para aumentar a produção de medicamentos e evitar a escassez. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
saúdeEUAhospitaisfaltamedicamentos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.