Hospitais na fronteira com Haiti estão lotados, diz ONU

Os hospitais da República Dominicana na fronteira com o Haiti estão "lotados" com vítimas do terremoto e os estoques de combustível estão chegando a níveis críticos, informou hoje a Organização das Nações Unidas (ONU). O aviso foi feito no momento em que a ajuda da ONU foi ampliada para abranger mais pessoas em comunidades afastadas do Haiti. A iniciativa tem como objetivo atender as necessidades de 1 milhão de sobreviventes do tremor de 7,0 graus na escala Richter, ocorrido na terça-feira.

AE, Agencia Estado

18 de janeiro de 2010 | 13h45

"Hospitais na região de fronteira estão lotados e começaram a enviar pacientes para outras cidades", informou a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU em seu último relatório, citando funcionários da entidade na República Dominicana, país vizinho. "Há falta de material, equipamento e de médicos nesses hospitais e não há um relatório que indique claramente o que é necessário", advertiu a entidade.

A Organização Internacional para a Migração (OIM) relatou na sexta-feira o aumento do número de haitianos que cruzam a fronteira na cidade de Jimani para buscar tratamento hospitalar. A Cruz Vermelha dominicana estava montando um hospital de campanha para atender ao crescente número de pessoas em busca de tratamento.

O problema do combustível no Haiti "está se tornando mais e mais crítico" e já há restrições, informou a ONU, advertindo que a falta do material pode ter sério impacto sobre os esforços internacionais de ajuda humanitária. "O sistema nacional de telecomunicações foi restaurado em parte, mas sem acesso aos combustíveis a rede de telefonia celular será cortada nos próximos dias, o que terá sérias implicações para a operação humanitária", afirmou a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Cerca de 10 mil galões (45,4 mil litros) de combustível deveriam ser levados de caminhão da República Dominicana para o Haiti. Porém, a rodovia que liga a capital dominicana, Santo Domingo, à capital haitiana, Porto Príncipe, estava congestionada, elevando o tempo de viagem para até 18 horas. Uma nova ligação aérea para a ajuda humanitária estrangeira foi aberta no aeroporto ao sudoeste de Barahona, local de férias da República Dominicana, para facilitar o acesso, disse a porta-voz da Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs.

Quarenta e três equipes de busca e resgate com 1.739 homens e 161 cães estavam trabalhando. Eles retiraram 71 pessoas dos escombros de um prédio ontem. O trabalho foi expandido para cidades atingidas a oeste e sudoeste de Porto Príncipe, dentre elas Gressier e Petit Goave, onde vivem 14.500 pessoas, e Leogane, que tem uma população de 11.510 pessoas. Equipes da ONU informaram há três dias que entre 80% e 90% das construções de Leogane foram destruídas.

A OIM pretende montar um campo temporário para 100 mil sobreviventes do terremoto em uma semana. No entanto, a locação dele ainda precisa ser determinada, segundo uma porta-voz da entidade. "O objetivo geral é cobrir as necessidades de 200 mil famílias nas próximas semanas." Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, visitou Porto Príncipe. Ele foi até um local improvisado na capital, onde 50 mil pessoas têm vivido perto das ruínas do palácio presidencial de Porto Príncipe.

Violência

Os casos de violência e saques estão crescendo em Porto Príncipe, denunciou hoje, em comunicado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A entidade notou ainda que o auxílio às vítimas do terremoto ainda chega apenas a um pequeno número de pessoas. "Os preços por comida e transporte dispararam desde a última terça-feira e os incidentes de violência e saques estão crescendo, conforme aumenta o desespero."

Muitos moradores da cidade avaliam que estão em uma "situação catastrófica", afirmou a Cruz Vermelha. "O acesso a moradia, saneamento, água, comida e cuidados médicos permanece extremamente limitado", disse Riccardo Conti, chefe da delegação da Cruz Vermelha no país caribenho. As informações são da Dow Jones.

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