Hospital da China oferece a homens chance de experimentar as dores do parto

Um hospital do leste da China está oferecendo a futuros pais a chance de experimentar as dores do parto, depois que várias mães se queixaram da falta de solidariedade de seus parceiros.

NATALIE THOMAS, REUTERS

21 de novembro de 2014 | 11h42

Duas vezes por semana, são realizadas sessões gratuitas em uma maternidade de Aima, na província de Shandong, e cerca de 100 homens se inscreveram para ser torturados. A maioria aguarda ansiosamente a paternidade, mas há aventureiros entre os voluntários das “sessões de tira-gosto”.

Nas simulações, almofadas ligadas a um dispositivo são colocadas acima do abdômen e dão choques que induzem dores. As cobais se retorcem de agonia durante até cinco minutos enquanto uma enfermeira aumenta a intensidade gradualmente em uma escala de um a dez.

Song Siling, que está tentando ter um filho com a namorada, fechou os olhos e fez caretas enquanto a agulha no monitor dos eletrodos saltava.

“Parecia que meu coração e meus pulmões estavam sendo arrancados”, disse Song, que chegou ao nível sete antes de gesticular freneticamente para que a enfermeira desligasse o aparelho.

Outros se retiraram depois de alguns minutos por não suportarem a dor.

Apesar do constrangimento evidente, a enfermeira de plantão afirmou que as simulações jamais equivalem ao tormento de um verdadeiro parto.

“Mesmo assim, se os homens puderem experimentar esta dor, serão mais amorosos e cuidadosos com suas esposas”, disse Lou Dezhu.

Wu Jianlong, que aguentou o suplício até o nível dez, diz que a experiência mudou radicalmente sua visão sobre o parto.

“Como todas as mulheres têm filhos e normalmente leva bastante tempo, pensava que era algo natural, algo normal que elas conseguem aguentar”, afirmou.

Wu, cuja esposa está grávida de três meses, gritou de dor e cerrou os punhosantes de ceder e pedir à enfermeira que parasse.

Ao contrário do que acontece no Ocidente, é menos comum para os chineses estarem na sala de parto quando suas mulheres dão à luz. Alguns hospitais públicos nem permitem a sua entrada, mesmo que eles queiram.  

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