Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Hospital da Venezuela fabrica máscaras para enfrentar o coronavírus

Suprimentos médicos são escassos no País, que já tem 36 casos confirmados

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 04h00

CARACAS - Os suprimentos médicos de quase qualquer tipo são escassos na Venezuela; por isso, funcionários de uma maternidade em Caracas estão correndo para enfrentar o coronavírus que se espalha rapidamente, fazendo máscaras cirúrgicas, uma a uma.

Cinco trabalhadores ficaram escondidos por dias no porão do hospital Concepcion Palacios, debruçados sobre máquinas de costura e transformando folhas descartáveis ​​de papel azul em máscaras para seus 2.800 colegas de trabalho.

Na terça-feira, eles conseguiram produzir cerca de mil máscaras costuradas à mão.

"Eles não saem dessas máquinas", disse a supervisora ​​Silvia Bolivar, uma das pessoas que organizou o projeto. "Eles comem e descansam lá até se levantarem à noite para ir embora".

Ela disse que outros hospitais começaram um esforço semelhante para ajudar a combater o vírus, que causa apenas sintomas leves a moderados, como febre ou tosse, para a maioria dos pacientes, mas pode ser grave para algumas pessoas, especialmente idosos e pessoas com problemas de saúde.

A Venezuela registrou seus primeiros 36 casos confirmados de coronavírus em menos de uma semana, e a maioria dos especialistas em saúde afirma que o país, que já está enfrentando uma crise econômica e escassez generalizada, não está pronto para o que está por vir.

Os hospitais não têm máscaras, luvas, remédios e, às vezes, até água corrente, de acordo com os profissionais de saúde.

"Deveríamos ter mais segurança, máscaras faciais apropriadas, mas estamos nessa emergência", disse uma das trabalhadoras, Yordania Mata, 34, enquanto fazia uma pausa para descansar as mãos.

Na segunda-feira, 16, o presidente Nicolás Maduro ordenou que o país inteiro ficasse em casa sob uma quarentena destinada a impedir a propagação do novo vírus, chamando a decisão de "medida drástica e necessária". /AP

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