Family of Charlie Gard via AP
Family of Charlie Gard via AP

Hospital de Londres adia desligamento de aparelhos de bebê em fase terminal

Hospital tinha planejado desligar os aparelhos, contra a vontade dos pais, nesta sexta-feira, mas decidiu adiar sem dar mais detalhes sobre quando isso ocorrerá

O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2017 | 22h17

LONDRES - Os pais do pequeno Charlie Gard, que tem uma doença terminal, terão mais tempo para se despedir do bebê de 10 meses. Os aparelhos que mantêm a criança viva não foram desligados nesta sexta-feira, como havia anunciado o hospital onde ele está internado em Londres. 

Depois de uma longa batalha na Justiça, os pais, Chris Gard e Connie Yates, perderam a ação que tentava ganhar mais tempo para levar o menino aos EUA e, lá, submetê-lo a um tratamento experimental. A Justiça britânica e europeia entenderam que a medida somente prolongaria o sofrimento da criança e autorizaram o hospital Great Ormond Street for Children a encerrar o tratamento. 

O hospital tinha planejado desligar os aparelhos nesta sexta-feira, mas decidiu adiar sem dar mais detalhes sobre quando isso ocorrerá. "Junto com os pais de Charlie continuaremos a dar os cuidados de que ele necessita para dar  a eles mais tempo com a família", afirmou um porta-voz do hospital ao jornal Washington Post

Charlie tem uma condição genética rara que causa danos cerebrais e o impede de desenvolver suas habilidades para mover braços e pernas, comer ou respirar sozinho. 

 

Em uma dramática batalha na Justiça, as cortes britânicas decidiram que o hospital deveria suspender o tratamento que o mantinha vivo, uma vez que médicos asseguraram que a criança não tinha nenhuma chance de sobreviver. O caso foi levado então pelos pais à Corte Europeia dos Direitos Humanos, que manteve o entendimento das cortes britânicas de que o melhor para Charlie era desligar os aparelhos.  

Na quinta-feira, os pais da criança divulgaram um vídeo no Twitter dizendo que os aparelhos seriam desligados nesta sexta-feira. "Ele tem lutado até o fim, mas nós não tivemos permissão para continuar a lutar por ele mais", disse Gard. "Nós não podemos sequer levar nosso filho para morrer em casa." 

O casal afirmou que o hospital não queria "dar à família" mais tempo para dizer adeus. Nesta sexta-feira, Connie afirmou que o hospital concordou em dar esse tempo a eles. 

"Escolhemos levar Charlie para morrer em casa", disse sua mãe em um vídeo postado no YouTube. "E temos dito isso por meses que é o que queremos. Esse é nosso último desejo, se fosse para ser assim o jeito que ele iria embora. E nós prometemos ao nosso garotinho todos os dias que levaríamos ele para casa, porque pensamos que essa era uma promessa que poderíamos manter." 

 

O pai de Charlie afirmou em outro vídeo que eles queriam levar o bebê para casa, dar um banho nele e colocá-lo para descansar em um berço no qual ele nunca dormiu. "Isso agora nos foi negado", disse Gard. O casal disse que a administração do hospital afirmou que não poderia providenciar o transporte de Charlie para casa, mas mesmo quando os pais se ofereceram para pagar por isso, eles foram informados que, na verdade, essa não era uma opção. / WASHINGTON POST 

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