Family of Charlie Gard via AP
Family of Charlie Gard via AP

Hospital do Vaticano pode receber bebê britânico com doença grave 

Menino de 10 meses sofre de miopatia mitocondrial, doença rara e incurável que provoca perda progressiva da força muscular; pais querem levá-lo para os EUA

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 20h53

ROMA - A presidente do hospital pediátrico Bambino Gesù, Mariella Enoc, informou nesta segunda-feira, 3, que a entidade estuda a transferência do bebê britânico Charlie Gard para a unidade. O hospital, que é um dos maiores da Europa, é de propriedade da Santa Sé e fica em Roma. 

"Pedi ao diretor médico para verificar com o Great Ormond Street Hospital de Londres, onde o bebê está sendo tratado, se há condições sanitárias para uma eventual transferência de Charlie para nosso hospital ", disse Enoc à imprensa italiana.       

Ao falar sobre a difícil situação médica da criança, a presidente destacou que quer dar condições dignas ao bebê.  "Sabemos que o caso é desesperador e, ao que sabemos, não há terapias eficazes. Estamos próximos dos pais nas orações e, se esse for o desejo deles, estamos disponíveis para acolher o menino aqui pelo tempo que lhe resta de vida", acrescentou.       

Falando sobre a "missão" do Bambino Gesù, Enoc destacou as palavras do papa Francisco que, na sexta-feira, escreveu que "defender a vida humana, sobretudo quando ela é ferida pela doença, é um compromisso de amor que Deus confia a cada homem".       

"As palavras do Santo Padre, ditas ao pequeno Charlie, reassumem a missão do hospital Bambino Gesù", acrescentou Enoc.       

A sexta-feira era a data em que o hospital deveria desligar os aparelhos que mantêm Charlie vivo. O menino de 10 meses sofre de miopatia mitocondrial, doença rara e incurável que provoca perda progressiva da força muscular.       

 

Os pais Connie Yates e Chris Gard lutavam na justiça para manter os equipamentos ligados e, por consequência, manter o bebê vivo, mas foram derrotados. O objetivo deles era levar o menino para um tratamento experimental nos EUA. Hoje, o presidente americano, Donald Trump, se ofereceu para ajudar a família. 

Na semana passada, a Corte Europeia dos Direitos Humanos confirmou a decisão da Justiça britânica autorizando o hospital a desligar os aparelhos. O hospital decidiu, porém, adiar o desligamento para que a família tivesse mais tempo para se despedir da criança. / Ansa, AFP 

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